A hora da verdade


Por JORGE SANGLARD Jornalista e pesquisador

18/06/2013 às 07h00

Juiz de Fora está vivenciando um período decisivo para se reafirmar como cidade pioneira, voltada para o desenvolvimento sustentável e polo da Zona da Mata, além de cidade de paz. A antiga Manchester Mineira conheceu o apogeu da industrialização, foi berço de escolas de nível inquestionável, marcou as artes mineiras ao projetar nomes de peso na literatura, na música, na pintura e no desenho, no cinema e vídeo, no teatro e também na arquitetura.

Mas, infelizmente, toda essa perspectiva foi, ao longo do tempo, perdendo fôlego, e a cidade passou a enfrentar momentos difíceis na economia, com reflexo em muitas outras áreas. Mesmo situada estrategicamente, do ponto de vista logístico, Juiz de Fora ainda patina em alguns pontos e precisa superar tais dificuldades para romper o ciclo do imobilismo e voltar a crescer e oferecer oportunidades para os juiz-foranos e para a legião de pessoas que escolheram e escolhem a cidade para estudar, trabalhar e viver.

Um dos maiores desafios para nós, juiz-foranos de bem, é deter os altos índices de violência que a cidade vivencia a partir de 2010 e que crescem de forma inequívoca desde 2012. No ano passado, foram 99 mortes violentas, e, até este início de junho, Juiz de fora já contabiliza 64 crimes com morte violenta.

Neste compasso, a cidade baterá seu próprio recorde trágico se algo de concreto não for feito de imediato. Por iniciativa da Câmara Municipal, junto com a OAB-JF, a PJF, a UFJF e o Instituto Vianna Júnior, em março, foi realizado um seminário sobre a violência urbana em Juiz de Fora para debater o que deveria ser feito. Pela primeira vez, as autoridades nos níveis municipal, estadual e federal se reuniram num evento público para fazer uma reflexão séria e objetiva sobre o que estaria fazendo da outrora segura e pacífica Juiz de Fora uma cidade com crescentes níveis de violência.

No entanto, o enfrentamento real da situação de insegurança que toda a população percebe ainda tem sido tímido, a despeito das medidas tomadas pelas polícias Militar e Civil para coibirem a criminalidade violenta. Passos importantes foram apontados no referido seminário, como a criação e instalação do Plano Municipal de Enfrentamento da Violência pela Prefeitura e a articulação do Laboratório de Estudo da Violência em Juiz de Fora, que seria abrigado junto à Universidade Federal de Juiz de Fora.

Os 19 vereadores encaminharam a solicitação de criação destes dois instrumentos de enfrentamento à violência ao prefeito e ao reitor da UFJF, e a cidade aguarda um posicionamento favorável das duas autoridades. É essencial que Juiz de Fora volte a ter paz e que reduza os índices de violência enquanto ainda há tempo, ou vamos amargar no presente e num futuro próximo o agravamento da situação de insegurança da população graças ao imobilismo ou à falta de iniciativas concretas para enfrentar o desafio de tornar a cidade mais segura.