Dois reinos


Por IRIÊ SALOMÃO DE CAMPOS

17/11/2012 às 07h00

Em um pequeno livro de 109 páginas, o professor José Herculano Pires discorre leve e fluentemente sobre Jesus, a quem chama de Jovem Carpinteiro, e seus ensinos. Regras definidas e definitivas para o progresso humano e a caminhada segura e firme rumo à felicidade. Alerta para a grande questão dos valores. A valoração ao longo da existência na terra varia segundo cada época cultural. Desta forma, o que era importante ontem, hoje, está relegado ao descaso. Sendo o contrário bastante comum: em dado momento, um objeto ou uma coisa ganha estima, subindo de valor no mercado; desta forma, torna-se objeto de desejo, e crimes de todas as ordens são cometidos para obtê-lo. E, em seguida, o desprezo: já não vale mais nada.

É o comércio e sua riqueza que movem o mundo. Muitos se arriscam para conquistar a fortuna e o mundo, e, mais tarde, questionam: valeu a pena?

Jesus, certa vez, disse: Eu venci o mundo (João: 16). É preciso não esquecer que, para vencer o mundo, o Jovem Carpinteiro não participou de reinos mundanos. Ele não compactuou com movimentos ideológicos, não assentou em cadeira senatorial, não indicou ninguém para cargos administrativos nas rodas governamentais, não se aliou a ordens secretas ou de natureza ocultista. Muitos que se deixaram seduzir por esses meandros atraídos por reinozinhos terrenos acabaram por se afastar mais ainda do Reino. Jesus, para vencer o mundo, se deixou imolar pelos reinóis mundanos.

Os valores do Reino são o reverso dos valores do mundo. Por isso, a sabedoria de Salomão ao se fazer representar por uma estrela formada por dois triângulos: um aponta para a Terra, o outro, para o Céu. Eles representam valores opostos que podemos conquistar. Ao descer pela ponta do triângulo, mergulharemos na Terra com todo seu egoísmo e vilania. Se subirmos pela outra ponta, atingiremos o celeste, com altruísmo, verdade e um pouco mais de humildade.

Conquistar os pequenos reinos da Terra é muito mais fácil do que ter que atravessar a porta estreita dos portais do Reino, mas há de se convir que as portas largas terrenas nos levam à escravidão de nós mesmos, já que ficamos enredados em nossos próprios vícios. A porta estreita conduz à liberdade de espírito através da mente arejada pela alegria de se modificar no caminho do bem, mantendo o coração afastado de todo e qualquer ressentimento e próximo da gratidão. Alegria de se esforçar para estar calmo, buscando a serenidade em todas as circunstâncias. Afastando-se da cólera, estará livrando-se da arrogância, do orgulho, da ambição, ou seja, dos sentimentos maléficos que tantos danos têm produzido ao mundo.

Buscando o vértice superior da Estrela de Salomão, nos dispomos à prática do bem, vivendo, primeiramente, as coisas do céu, e o resto virá por acréscimo.

Ao acordar, pensemos, primeiramente, nas coisas do Reino, antes de pensarmos nas terrenas. Oremos pedindo ao Cristo o amparo para mais um dia, e que tenhamos forças para não nos deixar fascinar pelos pequenos reinos. E que tudo que fizermos ao longo da pequena jornada diária seja sempre em favor do Reino de Deus.