Basta de vandalismo


Por JORGE SANGLARD Jornalista e pesquisador

17/10/2012 às 07h00

Juiz de Fora enfrenta um desafio. Por mais que a cidadania conquiste espaço e amplie sua penetração na comunidade, volta e meia, um grupo ou outro de vândalos teima em sobrepujar a tolerância da população e pratica atos contra o patrimônio público, como a recente pichação por uma gangue nas paredes do histórico Cine-Theatro Central. Juiz de Fora não pode tolerar que um bando de irresponsáveis e inconsequentes pratique, no coração da cidade, atos de vandalismo dessa natureza sem que ninguém tenha visto ou tomado uma providência.

O Cine-Theatro Central é uma conquista do povo de Juiz de Fora, fruto da mobilização de artistas, escritores, jornalistas, cineastas, músicos, enfim, de amplos setores da comunidade que contaram ainda com o respaldo de expoentes da cultura brasileira na luta por sua aquisição, sua restauração e sua entrega à UFJF, responsável por sua manutenção e gestão cultural. Nomes como Milton Nascimento, Tom Jobim, Ney Matogrosso, Paulinho da Viola, Chico Buarque, Sueli Costa, Eliardo e Mary França, Affonso Romano de Sant’Anna, Rachel Jardim, Jacob Pinheiro Goldberg, Fernando Pitta, Carlos e Fani Bracher, Dnar Rocha, Ruy Merheb, Renato Stehling, Jorge Arbach, Arlindo Daibert, Cesar Brandão e Walter Sebastião, entre muitos outros, emprestaram seu prestígio para a campanha "Central, a emoção de todos nós", que mobilizou a cidade para a preservação do teatro.

O reitor da UFJF, Henrique Duque, comprometido com a revitalização do Central e sabedor de sua importância no cenário da cultura juiz-forana, mineira e brasileira, além de repudiar as últimas pichações no entorno do prédio, deve acionar a Polícia Federal, uma vez que o teatro é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e deve exigir a apuração de responsabilidade pela autoria das pichações, já que os vândalos deixaram pistas, bairro e até iniciais da gangue. Para tal, terá todo o apoio da comunidade e dos artistas, jornalistas, escritores, músicos, cineastas de Juiz de Fora. Segundo o presidente da Subseção Juiz de Fora da OAB-MG, Wagner Parrot, é essencial uma ação enérgica que vise inibir o vandalismo e resguardar o patrimônio cultural da cidade.

Chega de impunidade! Basta de vandalismo contra a memória de Juiz de Fora! Nós, juiz-foranos de bem, não podemos permitir que desajustados sem limites continuem a vandalizar o que custou muito para ser conquistado. É hora de a cidade reagir contra as pichações e dar o exemplo positivo de que não tolera mais o vandalismo, cobrando providências das autoridades.

A Prefeitura, a Câmara Municipal, a UFJF, o Ministério Público e as polícias precisam encontrar meios para inibir a ação desmedida dos vândalos e pôr um fim às pichações. É o que Juiz de Fora deseja. É o que Juiz de Fora merece.