Fé cristã e vida moral
Considerando que o Evangelho inspira e dirige todo o âmbito do agir humano, podemos compreender que a fé cristã e o agir moral estão unidos. O Evangelho nos promete a vida eterna, mas ele não é a promessa de fáceis triunfos. Faz exigências. O Evangelho propõe o caminho da renúncia e da cruz (Mateus 16,24), e por isso ele será sempre um desafio para a fraqueza humana.
Fiel ao Evangelho, a doutrina moral da Igreja Católica é frequentemente criticada devido às suas exigências. Isso acontece porque sempre e em toda parte as exigências do Evangelho irão esbarrar contra o protesto do homem que é frágil e pecador. Mas é sempre preciso considerar qual seja o peso maior: se a verdade, até mesmo aquela mais exigente; ou, pelo contrário, se uma aparência de verdade, que cria apenas a ilusão do que é moralmente correto. A Igreja considera que, quando a verdadeira doutrina é impopular, não é lícito buscar uma fácil popularidade. A Igreja deve dar uma resposta sincera à pergunta: Que hei de fazer de bom para alcançar a vida eterna? (Mateus 19,16). Cristo nos preveniu, alertando que o caminho da salvação não é espaçoso e cômodo, mas estreito e apertado (Mateus 7,13-14). Não temos o direito de abandonar essa ótica nem de mudá-la (Papa João Paulo II, no livro Cruzando o limiar da esperança, pg. 164).
É evidente que nem todos os comportamentos que circulam entre o povo cristão são coerentes com a autêntica fé cristã, pois podem facilmente sofrer a influência de uma errônea opinião pública veiculada e amplificada pelos meios de comunicação. Diante deste quadro, o Magistério da Igreja tem a tarefa de discernir, mediante juízos normativos para a consciência dos fiéis, os atos que são em si mesmos conformes às exigências da fé e aqueles que, pelo contrário, por sua malícia intrínseca, são incompatíveis com tais exigências. As intervenções do Magistério da Igreja ajudam o povo a permanecer na verdade, frente ao caráter arbitrário das opiniões mutáveis e flutuantes, e expressam a obediência aos mandamentos divinos (Mateus 19,18).
Assim, as intervenções da Igreja Católica em matéria de moral, mesmo quando pareçam limitar a liberdade das pessoas, instauram, por meio da fidelidade à autêntica fé, uma liberdade mais profunda, isto é, uma liberdade comprometida com a verdade (João 8,32). Diante do perigo do relativismo moral, da permissividade dos costumes e do subjetivismo que não reconhece nenhuma norma moral objetiva e que deixa como última medida somente o próprio eu e suas vontades, convém exigir dos responsáveis pela educação que deem à juventude um ensino respeitoso da verdade moral objetiva, das qualidades do coração e da dignidade moral e espiritual do homem. Afinal, só da verdade nasce a moralidade autêntica, objetiva e universal.










