A velhice nos tempos de hoje


Por LENIRA ROCHA PERES MERCADANTE PSICÓLOGA

17/07/2012 às 07h00

Constatamos que houve um avanço na concepção da velhice como uma fase natural da vida. Os grupos da terceira idade estão se expandindo, oferecendo diversões e outras atividades saudáveis. Muitas pessoas consideram a velhice como decadência, doença e peso social. Romper com essa visão equivocada tem sido a bandeira de instituições e profissionais da área da saúde e psicologia.

Os governos precisam criar uma infraestrutura para atender a terceira idade que está aumentando, e atendê-la com dignidade. O Estatuto do Idoso foi um grande passo, mas é necessário que seja cumprido.

Com o aumento crescente de idosos, a ciência avançou procurando oferecer melhor qualidade de vida. Pesquisas atuais apontam que, em 2025, ocorrerá um aumento de 30% nessa população.

Os novos conceitos quanto a essa fase irão proporcionar uma melhoria da qualidade de vida dos idosos.

Velhice bem-sucedida significa bem-estar físico, social, emocional e espiritual. Trata-se de um equilíbrio entre limitações e potencialidades. Esse equilíbrio permitirá ao idoso viver com alegria. Segundo o gerontólogo Marcelo Salgado, mais importante do que acrescentar anos à vida, é preciso proporcionar vida aos anos.

As alterações físicas produzem mudanças na imagem corporal e na autoestima. Os idosos que conseguem superar essa crise criam uma nova identidade corporal, sentindo-se seguros. Esse processo psicológico proporciona uma evolução afetivo-emocional, criando um novo estilo de vida aberto a novas experiências, interesses específicos, relacionamentos qualitativos e mais disposição para participar de atividades socioculturais. Os especialistas devem ajudar a sociedade a aceitar os novos conceitos de velhice, a importância da participação do idoso através da sua sabedoria e experiência. Os familiares devem dar apoio e incentivo, encorajando-os a fazer coisas que julgam incapazes. É importante conscientizá-los de sua responsabilidade pelo seu próprio envelhecimento e da importância de lutarem por um espaço na sociedade.

A família deve tratá-los bem, sendo carinhosa, paciente, fazendo-lhes companhia, conversando, ouvindo-os com atenção, valorizando-os, incentivando-os a participar das conversas em família, dos aniversários, das atividades domésticas que estiverem à sua altura e jamais tratá-los como se fossem crianças. Mesmo quando estão doentes e/ou apresentam falhas de memória, percebem quando são ignorados, hostilizados e desprezados. Como consequência, entram em depressão, o que é desastroso no envelhecimento.