Sucupira brasileira


Por GUSTAVO ALVES RATTES Colaborador

17/07/2011 às 07h00

Para os mais jovens, importante esclarecer que Sucupira foi uma cidade governada pelo prefeito Odorico Paraguaçu, personagem principal interpretado pelo saudoso Paulo Gracindo na novela O bem amado em 1973. Ele resolveu construir um cemitério, pois seus habitantes, quando morriam, eram sepultados na cidade vizinha. Depois que a obra ficou pronta, ninguém mais morreu e, daí, sua obsessão era esperar alguém falecer para então inaugurar o seu cemitério. Diversos planos mirabolantes foram realizados e, por ironia do destino, foi o próprio personagem quem morreu assassinado e inaugurou o lugar.

Estamos em 2011, e a história do Brasil não muda. Políticos entram e saem. Fatos bizarros acontecem. O nível de consciência política e de respeito ao povo brasileiro cada vez mais se torna rasteiro, aliado às dificuldades que a maioria dos eleitores tem de votar, sem sabedoria.

Desde quando o Brasil foi descoberto e tornou-se república pelas mãos do Marechal Deodoro da Fonseca, em 1889, nosso país tem sido duramente castigado pela incapacidade que muitos dos nossos políticos possuem para exercer seus cargos eletivos.

Vejamos alguns projetos de âmbito federal, estadual e municipal verificados no Brasil: tem o que proíbe que bichos de estimação recebam nomes de gente; obriga a distribuição de Viagra para os impotentes; obriga a instalação de banheiros para gays e travestis em espaços públicos; elimina o uso da crase na língua portuguesa; obriga qualquer aeronave, nave ou veículo de outro país que esteja passando pelo Brasil a ter na tripulação alguém que fale português, como se fosse possível legislar emprego nas empresas estrangeiras; e também o que dispõe da obrigatoriedade de se construir banheiros públicos nas rodovias federais.

A Câmara de Juiz de Fora também não fica muito longe da Sucupira brasileira. Em 1999, um projeto obrigava os cavalos a utilizarem fraldas (nosso trânsito não é como o de Caxambu), outro que estabelecia mão e contramão para pedestres transitarem nas calçadas e, por fim, outro que obrigava os frequentadores dos motéis a preencherem fichas com nome e endereços completos.

Agora, em 2011, tomo conhecimento de que a nossa Câmara realizou uma audiência pública para se discutir a falta de respeito ao consumidor quando da expulsão de um jogador de futebol em uma partida, criando-se a ideia de que o punido seja substituído por outro presente no banco de reservas e, o que é pior, resolveram levar para Fifa o objeto de estudo a fim de que isso possa se tornar uma realidade.

É estarrecedor! Ocupar um local que abriga os representantes da cidade para se discutir regra futebolística bizarra! Será que os vereadores presentes nesta audiência pública não sabem até hoje qual a real função deles diante de uma câmara municipal? Se o nosso senador Itamar Franco, homem digno e sábio da política brasileira, estivesse vivo, com certeza, se envergonharia deste fato lamentável.