País do futuro ou Terra do Nunca?
O imaginário construído ao redor da ideia de país do futuro, denominação utilizada por Stefan Zweig na década de 1940, pode ser encarado como uma decepção quando se analisa sob o prisma das oportunidades e expectativas nunca alcançadas pelo Brasil. Sob esse aspecto, Zweig antecipou um cenário pouco animador, persistente 70 anos depois de sua publicação, quando afirmou não querer dar a ilusão de que no Brasil já tudo se acha no estado ideal. Isso porque muita coisa ainda se acha em início e em transição, concluiu o autor. Como é possível continuarmos no início ou em transição tantos anos depois?
Procuramos exemplificar com a política ambiental. O Brasil sediará, na cidade do Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio + 20) não apenas em um momento de crise econômica mundial que pode justificar flexibilizações na proteção ambiental, mas, sobretudo, quando o país discute, através do novo Código Florestal, um dos principais aspectos do seu modelo de desenvolvimento. Além disso, o Governo investe fortemente em petróleo e gás natural, desconsidera os impactos das grandes usinas hidrelétricas e avança vagarosamente em energias alternativas. Atualmente, investimentos na Copa do Mundo viraram, em uma interpretação do discurso oficial, sinônimo de desenvolvimento (lembrando que as empresas privadas vêm capitaneando largo montante de recursos junto ao BNDES).
O Brasil não tem um modelo de desenvolvimento sustentável definido, se é que tem algum. Navega, portanto, ao sabor da maré. Não possui integração entre as diferentes políticas públicas e atua apenas pontualmente, como diante das recentes crises econômicas globais. Consequentemente, sem se aprofundar em mudanças estruturais que sedimentem uma proposta de desenvolvimento nacional, não se volta para a redução das desigualdades intra e intergeracionais, não amplia investimentos em educação, ciência e tecnologia, não promove a proteção ambiental e não dá segurança à iniciativa privada, especialmente aos pequenos empresários.
Nós nos situamos em uma transição interminável, em que o tempo parece não passar. Por um lado, nossos representantes políticos não amadurecem em honestidade, transparência e zelo com a coisa pública (res publica), e, por outro, nós, a população em geral, persistimos em uma figuração pueril no exercício de nossa cidadania. Enfim, vivemos na Terra da Nunca, alheios e confortáveis com uma realidade que nunca vai mudar e que, por si só, não irá se alterar. Esta, porém, não é aquela de J. M. Barrie, pois, na ficção, os piratas não dispõem de inúmeros recursos jurídicos ou de processos anulados e não existe um manto de governabilidade capaz de esconder as relações espúrias entre o público e o privado. Lá, os piratas sempre são capturados no final.










