Menos crianças, mais idosos


Por LUIZ FERNANDO SOARES DE CASTRO

16/12/2011 às 07h00

O Censo 2010, divulgado pelo IBGE, nos diz que o número de nascimentos registrados em cartórios no Brasil é o menor em dez anos. Foram registrados 2.747.373 nascimentos, ao passo que, em 2000, esse número foi de 2.862.340. Ou seja, 114.967 crianças a menos em dez anos. O IBGE diz também que o número de adolescentes que engravidaram (com menos de 20 anos) diminuiu e, entre aquelas de 25 a 39 anos, aumentou.

Esses dados comprovam a queda da fecundidade no Brasil, que nos anos 1960 era de aproximadamente seis filhos por mulher em idade reprodutiva e, atualmente, é inferior a dois. Essa queda na fecundidade, nas últimas décadas, é resultado do maior uso pelas mulheres de contraceptivos e sua maior participação no mercado de trabalho. Isso significa que as mulheres brasileiras têm cada vez menos filhos e os têm mais tarde.

Os dados também nos mostram que o brasileiro está vivendo mais, isto é, a expectativa de vida está aumentando e aumentando também está, obviamente, o número de idosos. A população idosa brasileira deverá, segundo projeções, mais do que triplicar nas próximas quatro décadas, de menos de 20 milhões, em 2010, para aproximadamente 65 milhões, em 2050. Mais idosos, maiores cuidados com a saúde.

A queda da fecundidade e o envelhecimento da população representam não só uma profunda transformação demográfica, mas também socioeconômica. Uma dessas transformações diz respeito ao bônus demográfico, período caracterizado pela maior proporção de pessoas em idade ativa, não necessariamente incorporadas ao mercado de trabalho. Esse período caracteriza-se por um momento de menor dependência demográfica, já que o número de pessoas em idade ativa é maior que o número de dependentes (crianças e idosos). Se o Brasil incorpora essa população em idade ativa ao mercado de trabalho, consequentemente, maior será o número de contribuintes e maior a capacidade produtiva do país, isto é, maior força de trabalho.

Mas esse bônus não será eterno. Chegará um momento em que a população dependente voltará a aumentar em função do aumento do número de idosos e também da baixa fecundidade, diminuindo a proporção de população em idade ativa.

Portanto, o Brasil precisa aproveitar essa janela demográfica antes que ela se feche com políticas públicas voltadas para essa grande força de trabalho, gerando emprego e renda. Ao mesmo tempo, gastos com a saúde aumentarão, demandando maiores desafios.