Malefícios das drogas
Infelizmente, às vezes aparecem determinadas correntes de opinião defendendo a descriminalização da produção e do comércio de certas drogas consideradas ilícitas. Entendo que o resultado disso não seria nada positivo, porque tal permissividade acabaria por banalizar o uso de determinados tóxicos, inibindo a salutar advertência sobre os seus gravíssimos malefícios. Além disso, cabe dizer que a frequente distinção entre drogas leves e pesadas acaba negligenciando e atenuando os riscos inerentes a qualquer uso de produtos tóxicos. Portanto, é importante que se deem informações médicas e exatas, em particular aos jovens, sublinhando os efeitos perniciosos da droga nos planos, tanto somático, como intelectual, psicológico, social e moral.
Parece-me então oportuno aprofundarmos nosso conhecimento acerca da nefasta influência do uso de determinadas drogas sobre o organismo e sobre a ordem social. Vejamos, por exemplo, as seguintes considerações científicas a respeito do uso da maconha e que foram publicadas num amplo tratado médico composto pelo notável doutor Marcelo A. Hammerly : A embriaguez produzida ao fumarem-se dois ou três cigarros de maconha é uma estranha mistura de excitação e depressão. Há, no começo, uma sensação de alegria e grande bem-estar, de excitação e ao mesmo tempo de semissono com fantasias da mais diversa espécie, cujo conteúdo varia com as tendências da pessoa. Perde-se a percepção exata do tempo e do espaço. Pode o intoxicado dormir, se bem que seu sono seja amiúde interrompido por períodos de delírio. Podem algumas pessoas, durante a embriaguez, cometer atentados contra o pudor e outros crimes, pois estão deprimidos os centros que controlam o procedimento e, exaltada a imaginação, juntamente com tendências anormais que possa ter a pessoa. Essas tendências podem trazer consequências trágicas. Não raro é que cometa suicídio durante essa embriaguez. Quem costuma usar a maconha termina por tornar-se pessoa incapaz de trabalhar bem, desconfiada, irritável e rixosa. Sua ação degenerativa sobre o cérebro evidencia-se pelo uso que se dava antigamente no Oriente para deixar em estado de semi-imbecilidade os inimigos políticos encarcerados ou os possíveis concorrentes a uma sucessão ao trono. O viciado pode ser despojado desse tóxico em forma repentina, sem perigo algum para a saúde, pois as perturbações decorrentes do hábito se fazem sentir mais na esfera mental do que no terreno físico. (Novo tratado médico da família, p. 91).
Por fim, convido os pais que têm um filho toxicômano a jamais se desesperar, porque a atenção calorosa de uma família unida constitui um grande apoio para o combate interior e para o progresso de um tratamento de desintoxicação.










