Fraternidade e juventude II
No dia 13, Quarta-feira de Cinzas, a Igreja Católica iniciou o tempo da Quaresma: 40 dias de preparação para a festa da Páscoa, ressurreição de Jesus Cristo, tempo favorável à prática dos exercícios de caridade, jejum e oração. No mesmo dia, a Igreja do Brasil abriu a Campanha da Fraternidade (CF), anunciada na véspera do seu lançamento pela Equipe Igreja em Marcha, quando indicávamos seu tema Fraternidade e juventude e seu lema Eis-me aqui, envia-me (Is, 6, 9), frisando sua atualidade, realizando a preparação para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ/RJ-2013) e fazendo um breve histórico das CFs e de seus objetivos.
Para ajudar as paróquias, as comunidades e os grupos a realizarem a CF com bom proveito, a CNBB oferece subsídios valiosos, sendo o Texto-base o mais acessível e quase indispensável deles. O material inicia com a reflexão sobre o tema da CF, a partir de um detalhado estudo da realidade desta juventude no contexto atual. Nossa era é marcada por intensas e profundas mudanças. Após uma ‘época de mudanças’, nós nos deparamos com uma ‘mudança de época’, que enfraquece e altera muitos paradigmas tradicionais que sustentavam certa visão do mundo. (…) A expressão ‘mudança de época’ procura conceituar a etapa da história por que passamos em que se faz a transição de uma cultura estável para outra nova e ainda não estabilizada. A CF é um duplo convite para irmos ao encontro dos jovens nesse contexto, e, ao mesmo tempo, para os jovens se deixarem encontrar por Cristo, caminho, verdade e vida (Jo, 14, 6).
A segunda parte, cujo título é o lema da CF, nos convida a uma profunda reflexão cristã. Em nossa época, cujo maior desafio é acompanhar a velocidade das mudanças em todas as esferas da vida, desponta a urgente necessidade de aprofundarmos o tema da juventude à luz das Sagradas Escrituras, da Tradição e do Magistério da Igreja. A presença dos jovens na Bíblia e na história da Igreja é marcada por um protagonismo que precisa ser valorizado e buscado sempre, sobretudo atualmente.
A terceira parte (Indicações para ações transformadoras) mostra o quanto a mudança de época atinge também a Igreja e a clama a converter-se. A conversão pastoral (termo usado por Bento XVI, em ‘Porta Fidei’) é uma atitude de autoavaliação e de coragem para mudar as estruturas pastorais obsoletas da Igreja, para que ela seja, cada vez mais, geradora de discípulos missionários comprometidos com a vida de todos, em particular dos jovens. Esta realidade exige elaboração de uma nova evangelização da juventude, revisão dos métodos, adaptação às novas linguagens e inserção nos ambientes tecnológicos e midiáticos.
Na semana em que o santo Papa nos deu um exemplo de jovial coragem ao se declarar sem forças para continuar seu pontificado, devido à idade avançada, ainda mais pungente torna-se a presença dos jovens, como protagonistas, no seio da Igreja. Vamos vivenciar com fé e esperança a caminhada quaresmal, e, junto aos jovens, nos preparar para as mudanças que aí estão e que ainda virão.









