‘Creche’ para idosos?
Um dos principais jornais de circulação nacional, na edição do dia 2 de setembro, apresentou uma matéria de primeira página que, profissionalmente, me interessa. E que, na minha opinião, é polêmica, o que me motivou a escrever para a Tribuna e repercuti-la um pouco mais com os seus leitores. Trata-se da existência de um novo tipo de negócio que tem crescido na maior cidade da América Latina: creche para vovó e vovô, em São Paulo.
A palavra creche está entre aspas porque entendo que este importante tipo de equipamento de proteção social é para atender crianças, e não para cuidar de idosos. Pode parecer proselitismo de minha parte, mas penso que vale a pena repetir: idoso não é criança. A referida reportagem coloca em discussão essa terminologia. Creche para idosos? Alguns especialistas entrevistados não aceitam a nomenclatura. Como expressa o médico Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade, é lamentável chamar de creche. Mesmo no caso de pessoas com demência, é fundamental manter sua autonomia, respeitar seus desejos. Não é uma criança. Eu, na minha humilde opinião, concordo com ele.
Se existe um tema que nunca foi de fácil aceitação e ainda não o é, esse tema é o da velhice humana. Falar sobre o envelhecimento humano é falar sobre um assunto controverso, produzido socialmente com preconceitos e tabus que em nada respeitam os cidadãos e cidadãs idoso(a)s. Por exemplo: a ideia largamente difundida entre nós de que o idoso volta a ser criança é uma das piores e mais enraizadas na cultura brasileira e que não tem nada a ver. São atores diferenciados e distintos um do outro.
Infelizmente, por falta de informação e de preparo profissional, essa ideia de infantilizar a pessoa idosa está presente em muitos ambientes de intervenção gerontológica, o que requer resposta das instituições de ensino superior na formação qualificada de recursos humanos para a prática da geriatria e gerontologia na sociedade brasileira. E, para não ir muito longe, é preciso estar atento à formação profissional dos alunos, já que aqui na nossa cidade temos várias universidades e faculdades instaladas no terreno onde passa (agonizando) o Rio Paraibuna.
Creches públicas para idosos? Não seria o indicado. Centros de Convivência, centros-dia e outras denominações estariam mais condizentes com a realidade de um trabalho social com pessoas idosas que se deseja digno de promoção para o crescimento e capacidade de evolução dessas pessoas.









