Os idosos e as eleições
Cresci no ambiente doméstico e fora dele ouvindo certas ideias que, com a passagem do tempo, não me paralisam mais e nem me metem medo. Como muitos, certamente mais novos, eu, mais novo, acreditei em muitas coisas por força da imposição de casa, da escola e da própria sociedade em última instância. Entre outras e tantas assertivas advindas da idade mais nova, absorvi situações como, por exemplo, que o mundo acabaria no ano 2000. Fiz até as contas com os dedos das mãos, para saber com quantos anos eu iria morrer. Beber leite com manga? Nem pensar. Brasil, país do futuro – que futuro é esse que nunca chega?
O que quero expor aqui e dar mais luz, através desses exemplos de tempos idos, é o manjado dito popular: futebol, política e religião não se discutem! Discutem-se sim, com civilidade e respeito. O que nos falta é aprender a ouvir ideias, opiniões, argumentos e ponderações diferentes das nossas. O debate, mais do que nunca, é salutar e nos faz crescer, evoluir.
O mundo não acabou em 2000 nem vai acabar este ano, como profetizaram os maias; a mistura de leite com manga tem explicação histórico-política do porquê não é indicada; e futebol, política e religião devem sim ser discutidos, porque esses três sujeitos configuram o nosso mundo. O futebol o explica; a política o cria; e a religião o serve; ou para transformá-lo(como eu acredito), ou para a sua manutenção.
O que tem isso a ver com as eleições municipais? Eles estarão juntos (o futebol, a política e a religião). O quadro político municipal está posto. As convenções partidárias consagraram os seis nomes do(a)s candidato(a)s à prefeito(a) e vice na cidade. O jogo político vai começar (já começou) – as eleições municipais estão aí.
O mundo mudou. Entre outros fenômenos sociais presentes no século XXI, envelhecer é o que há de mais moderno, conforme canta o artista Arnaldo Antunes, e os cidadãos idosos da cidade ainda não se convenceram de sua força política no processo eleitoral do dia 7 de outubro. São mais de 70 mil cidadãos em JF que estão na faixa etária acima de 60 anos de idade. Aqui está o gigante adormecido.
Se, no jogo político eleitoral, até então, são poucos ou quase inexistentes os discursos, as falas dirigidas à população idosa do Brasil e da cidade, está na hora de os eleitores idosos demonstrarem ao(à)s candidato(a)s o seu valor e a sua importância. Como? No voto. No debate com o(a)s candidato(a)s, apresentando a sua gestão de demandas por uma cidade que os receba com mais dignidade e cidadania; comparecendo em massa às seções eleitorais; saindo de casa para votar com frio ou com calor. É chegada a hora!










