Políticos não têm vontades


Por SAGRADO LAMIR DAVID, ESCRITOR

13/05/2012 às 07h00

A cada dia me revolto mais – como democrata que sou – de ler e ouvir, de modo passivo e ingênuo, que atitudes necessárias ao desenvolvimento econômico, social, educacional, de saúde e de segurança da cidadania real e evolucionista da pátria brasileira dependem, única e exclusivamente – haja imunidade parlamentar e impunidade de corruptos – dessa extravagante – para não dizer criminosa – vontade política! É o maior dos absurdos que a não realização, a tempo e a hora, das necessidades básicas da cidadania verde-amarela esteja na dependência de um Executivo, de um Legislativo e – especialmente – de um Judiciário, que, ao invés de se manterem independentes em suas filosofias e atitudes governamentais, nada mais fazem – que absurdo – do que se manterem grudados em seus interesses espúrios – e como existem! Isso tira qualquer chance de aqueles honestos – que lá existem – assumirem coerência entre pensamentos, palavras e – mais que tudo – atitudes que, de fato, promovam a limpeza dessa sujeira que impede os verdadeiros fichas limpas de assumirem seus papéis nobres na gestão de nossos rumos verdadeiros para uma democracia justiceira, ordeira e progressista. As palavras ordem e progresso, aliás, continuam escritas no pavilhão nacional, mas sem qualquer valor pedagógico para nossas atuais e, especialmente, futuras gerações!

Daí, agora e sempre, eu afirmar: políticos não têm vontade! Políticos têm é obrigação, como artífices nobres da gestão da pátria brasileira, de construir alicerces pela educação, pela saúde, pela moradia e pela segurança plenas, alicerces estes que permitam às diferenças naturais entre os cidadãos apenas servirem de estímulo democrático a fazer desaparecer os escabrosos preconceitos, desde a etnia até a condição econômica. Sem esse estímulo, somos levados a pensar que ainda vivemos em épocas remotas, quando os coronéis nos relembravam das monarquias absolutas francesas, para fazermos a histórica revolução que se baseou no lema que abriu rumos para a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade, a ponto de Benjamin Franklin usar o sentimento patriótico e heroico de Laffayete, com suas tropas, para se libertarem do jugo inglês, e depois, voltando à França, cantarem a Marselhesa, enquanto removiam do poder Luiz XVI, Maria Antonieta et caterva!

O Brasil precisa é da vontade real, inteligente e objetiva de administradores. De fato, o oposto daquilo que representa a criminosa vontade de quem tem apenas a obrigação de não impedir que verdadeiros gestores criem a nação que almejamos! Para começar, punir todos do mensalão, estejam em que poder estiverem, no Executivo, no Legislativo ou no Judiciário! Só a limpeza da sujeira criada pelos fichas sujas abrirá os caminhos por onde transitarão os novos políticos, fichas limpas por seu próprio caráter, conscientes de seus deveres e obrigações democráticos. E estes permitirão que a roupa suja seja sempre lavada em casa!

Os artigos para esta seção devem ter, no máximo, 30 linhas (de 70 caracteres), com identificação do autor e telefone de contato