Páscoa: travessia para a vida
Na atualidade, situações de morte se avolumam. As notícias que estão em toda parte nos assustam e minam nossas melhores expectativas sobre o presente e o futuro da humanidade. Os desejos de vida que nos habitam estão intimidados pela brutalidade banalizada dos fatos cotidianos. No entanto, no escondido dos corações, ainda resta uma pequena chama que nos impulsiona, que não nos deixa caídos, que nos incita a gestos, ainda que singelos, de amizade, de ternura, de alegria a ser repartida. E nos perguntamos: de onde vem esta teimosa esperança, este não se deixar vencer pelo horror e pela barbárie?
A resposta está na fé que nos faz saber que o círculo vicioso da violência só pode ser vencido pelo perdão e pela gratuidade de um amor sem medidas. Cremos nisto não porque somos sonhadores românticos, mas porque alguém nos revelou este mistério experimentado na própria vida. Assim, com o apóstolo Paulo, podemos dizer: Nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos. Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus.
Este poder e esta sabedoria que não nos deixam submersos na morte é que nos animam. Jesus vence a morte, mas vence sem fazer vencidos, pois leva com ele, para a ressurreição e para a alegria da vida depois da vida, toda a humanidade criada, mesmo aqueles que não souberam ou não puderam acolher seu projeto amoroso. Em vez da vingança, perdão; em vez do ódio, amor. Esta é a grande lição da Páscoa do Senhor.
Precisamos aprender que estamos, todos, neste mundo, entre a chegada e a partida, vivendo as aventuras de uma grande travessia. Podemos, apesar de todas as nossas debilidades e de todas as circunstâncias adversas que nos ameaçam, fazer dela um tempo bom de viver, sinal de esperança na vitória que nos aguarda no final, na vida que se manifestará em sua forma plena, quando toda dor será extinta e toda lágrima será definitivamente enxugada pelo amor.
Vivamos este tempo pascal na contemplação deste mistério, capaz de nos oferecer forças suficientes para uma travessia menos amarga e dolorosa, voltada para o serviço amoroso dos que de nós necessitam, na construção da paz tão desejada.











