Educação no estado


Por EDSON FARIA

13/03/2013 às 07h00

Em época de campanha eleitoral, ouvimos o discurso de que a educação é uma prioridade, ou ainda que, sem uma educação de qualidade, o país não tem futuro, e todos concordamos com estas afirmativas. Passada a eleição, estas afirmativas não são apenas esquecidas, mas frontalmente contrariadas pelos governantes.

Está em curso uma ação do Governo do Estado de Minas Gerais que, contrariando o discurso eleitoral e as peças publicitárias veiculadas na mídia, interfere negativamente na qualidade da educação oferecida às nossas crianças e que acaba repercutindo nos governos municipais que passam a adotar a mesma medida, em um efeito cascata, que prejudica a qualidade da educação pública em nosso estado. Trata-se de que professores regentes dos primeiros anos escolares assumam as aulas de educação física e de ensino religioso.

Isto é um retrocesso absurdo! O estado já havia reconhecido que uma habilitação acadêmica adequada nestes dois componentes curriculares, como em qualquer outro, é um requisito essencial para a qualidade do processo educativo, tanto que havia docentes especializados ministrando seus conteúdos. Todavia, motivado por um economicismo imediatista, trata o investimento em educação, indispensável para o verdadeiro desenvolvimento, como uma despesa a ser cortada.

No que tange à educação física, é reconhecida pelos estudiosos a importância da atividade corporal, adequadamente orientada, para a formação cidadã da criança, o que vai muito além da formação física. Como componente curricular da educação básica, ela tem o papel de oferecer ao aluno a possibilidade de vivenciar os conteúdos da cultura corporal, que são os estímulos adequados para que seu processo de desenvolvimento seja pleno, nos aspectos motor, cognitivo e afetivo-social. Mas não é a atividade física, por si, que viabiliza estas conquistas, mas sim sua realização com orientação correta, fundamentada, consequente e crítica, o que só pode ser feito por alguém com formação em licenciatura em educação física.

O economicismo imediatista argumenta que, se os professores regentes fizeram uma disciplina de educação física em seus cursos de formação (e nem sempre isso é verdade), eles podem ministrar este componente curricular. Uma disciplina de educação física nos cursos de formação de professores tem outra finalidade: a de permitir uma compreensão mínima das potencialidades da área, a fim de que se estabeleça um diálogo construtivo entre os profissionais que atuam na escola, mas não qualifica para a complexidade da intervenção neste componente curricular. Pela mesma razão, os licenciados em educação física estudam disciplinas comuns a todas as licenciaturas e aos cursos de pedagogia.

É preciso que manifestemos nossa indignação e nosso inconformismo com este tipo de medida que desconsidera a importância da formação de qualidade para a promoção do desenvolvimento social, da justiça, da qualidade de vida e que acaba por fazer com que a educação não cumpra o seu papel em nossa sociedade.