Pela revitalização das praças
Defender a manutenção das praças no atual estágio do desenvolvimento urbano não é tarefa fácil, principalmente quando o descaso das políticas urbanas praticamente anuncia sua obsolescência. Uma vez abandonadas, se tornaram alvos fáceis de vândalos, da especulação imobiliária e de administrações negligentes que, na maioria das vezes, destroem-nas para implementar mudanças estruturais, visando a tão desejada melhoria da mobilidade urbana que, na maioria das vezes, privilegia o carrocentrismo (priorização da circulação de automóveis individuais em detrimento do transporte coletivo e dos pedestres). Mas, afinal, qual seria a importância das praças dentro de um espaço urbano cada vez mais caótico?
Ao longo da história, a praça passou por significativas mudanças em relação à sua função enquanto espaço público. No passado, já foi espaço para debate político (ágora grega), mercados de produtos rurais e artesanais. Atualmente, ainda é utilizada para lazer contemplativo, pregações religiosas, encontros, apresentações de bandas, festas, diversão infantil, apresentações teatrais e, inadequadamente, são apropriadas por barzinhos. Por serem espaços abertos, são democráticas e favorecem o convívio da população, condição fundamental para a sociabilidade. As praças também conferem identidade simbólica a várias cidades por conterem patrimônios materiais artísticos que impregnam a história local e de parte da população. Espaço do verde (árvores e jardinagem) e das águas (lagos e chafarizes), as praças contrastam com o cinza do concreto/asfalto que domina a monotonia do espaço urbano moderno. Negligenciadas pelo Poder Público, aos poucos, foram perdendo seu papel de centralidade do cotidiano urbano. Estão sujas, malcuidadas e muitas foram impermeabilizadas com concreto e pedra portuguesa (os mosaicos). As novas formas de lazer do mundo contemporâneo também contribuíram para torná-las desinteressantes e, em alguns casos, anacrônicas.
Quais seriam, então, as justificativas para a manutenção das praças? Além da importância da dimensão estética e do lazer, elas podem amenizar alguns problemas ambientais. Se revitalizadas, podem contribuir para a melhoria das condições térmicas, em diversos pontos da cidade, através da interferência na dinâmica da ventilação urbana ou pela criação de ilhas de frescor que contrastam com as ilhas de calor, típicas do adensamento urbano insustentável. A presença de árvores bem-cuidadas e da jardinagem, conjugada com pavimentos permeáveis, também contribui positivamente para a melhoria da drenagem das águas pluviais em áreas urbanas, uma vez que promovem uma maior infiltração.
A cidade de Juiz de Fora, por exemplo, possui várias praças que precisam ser bem-cuidadas e criativamente integradas aos projetos de transformação estrutural, principalmente aquelas que fazem parte do perímetro urbano central. Ainda é possível resgatar seus valores simbólicos, revitalizando, com competência, sua estética e criando novas funções, compatíveis com as demandas sociais e ambientais contemporâneas.










