Esclarecendo o bullying


Por CLARA DUARTE Psicopedagoga e coordenadora de unidade do Colégio Apogeu

12/06/2013 às 07h00

Quando William Shakespeare afirmou que todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente, já estava se questionando sobre um dos assuntos mais discutidos atualmente em fóruns de todo o mundo, que gera grande interesse na sociedade e nas ciências: o bullying. Essa agressão, que segue com inúmeras opiniões e publicações, tem recebido diferentes formas de se apresentar e de discutir justificativas que levam os indivíduos a agirem de forma cruel e gratuita. Porém, a necessidade emergencial de buscar soluções traz consigo interpretações equivocadas, capazes de dificultar o entendimento e a resolução da situação. É na tentativa de alertar e acordar a sociedade que precisamos, por vezes, insistir, (re)apresentando o assunto, levando o tema à reflexão sempre do maior número possível de pessoas.

O bullying, forma de interação violenta marcada pelo desrespeito, que ocorre entre pares (aluno com aluno, colega de trabalho com colega de trabalho, etc.) tem como característica principal uma intenção contínua de agredir verbalmente, emocionalmente e fisicamente sem motivos aparentes, provocando danos e sofrimentos numa relação desigual de poder que possibilita a vitimização. São violências que expõem pessoas repetidamente a constrangimentos, intimidações, calúnias e discriminações que podem ocorrer no espaço escolar, profissional ou virtual (cyberbullying), em que os recursos da tecnologia são utilizados no assédio.

Apesar do rotineiro uso do termo bullying, ainda existe discordância em seu uso como consequência de estudos recentes e da falta de pesquisas aprofundadas que tratem dos impactos ao longo do tempo. Percebemos estas divergências nos discursos de profissionais da educação, saúde, direito e nas leis de diversos países.

O que precisamos frisar é a relação interpessoal como base da ação e a ausência de motivos que justifiquem o ato. É o desequilíbrio entre forças físicas, emocionais e/ou sociais que proporciona uma vantagem de poder do autor sobre a vítima e que facilita a conquista de fama perante o grupo pertencente. Não podemos esquecer que o autor, desejando popularidade, necessita de uma plateia. E, nesse caso, todos os passivos (que presenciam inertes a prática do bullying) colaboram equivocadamente – ou não – para a prática do ato.

Para encerrar, percebemos a violência no geral como fenômeno social e complexo, não conseguindo conter a brutalidade sem o envolvimento e comprometimento da comunidade, das instituições, do Governo e de profissionais que participem de projetos concretos que oportunizem apoio. Como muito bem define Lélio Braga Calhau, promotor de Justiça, o bullying estimula a delinquência e induz a outras formas de violência explícita, produzindo em larga escala cidadãos estressados e deprimidos. Portanto, cabe a todo aquele que puder e quiser esclarecer e discutir, não permitindo que se banalize um assunto sério e, para quem sofre tal agressão, a coragem da denúncia.