Escolas sem proteção


Por LÉIA VIEIRA DE SOUZA LIMA

12/05/2011 às 07h00

Quem precisa de proteção: professor, funcionário, aluno, cidadão? Fatos, histórias, perguntas, expectativas. O certo é que falta alguém na escola com função específica para analisar problemas, ouvir, apaziguar ânimos, encaminhar, ajudar pais e professores na educação. Este poderia ser o Orientador Educacional (OE), num serviço sistematizado, que dela foi banido, e também um psicólogo ou psicopedagogo. O pedagogo que atua nas escolas tem tantas funções que, muitas vezes, não consegue assumir as pedagógicas que lhe são propostas. A escola e os pais estão longe de alcançar os efeitos da tecnologia, dos meios de comunicação nas mentes humanas, mas podem minimizar os efeitos negativos, valorizar os positivos, podendo, juntos, se lhes derem condições, buscar alternativas para criar responsabilidade.

Numa sala do OE de uma escola pública, quando este iria ser transferido, alunos perguntaram: O que esta sala tem que não deixa a gente falar mentira? O que iremos fazer agora quando brigarmos? Aprenderam a solucionar suas dificuldades de relacionamento, acompanhados pelo OE que colocava frente a frente os envolvidos até se dissolverem os mal-entendidos, ou os reunia em seções de dinâmica de grupo onde se demonstrava a importância da responsabilidade, do estudo frequente, da harmonia, do respeito.

Há outras questões como a de uma escola que precisa de reforma, tanto para maior segurança dos que nela atuam, como para proteger os recursos didáticos. Chove na biblioteca, muitas salas não oferecem segurança, os limites da escola precisam de muros, os espaços são mal aproveitados, e as verbas não chegam. Falta vigilância nos arredores visando à proteção contra violências diversas.

Enquanto não houver política que defenda a vida no planeta, a qualidade de vida do cidadão, e que valorize o trabalhador, os problemas do país não serão solucionados. Por que não equiparar salários dos políticos aos dos demais cidadãos? Valorizando de fato justiça, saúde, educação, trabalho, numa cidade organizada, pode-se conquistar autoestima, segurança, realização, amor a si mesmo, ao próximo, à pátria. Proteção ao educador, ao educando, ao cidadão.

Ao professor é atribuída a responsabilidade pelo desenvolvimento, porém tamanha importância não corresponde ao valor econômico que lhe atribuem, e já está cristalizado acreditar que não precisa mudar. Dizem que a dedicação e o entusiasmo deste fazem diferença, por que não lhe pagarem, fazendo jus ao que deve produzir, e criarem condições de trabalho facilitadoras para que ele possa se sentir valorizado, construir ideais sem excesso de tarefas, podendo usar sua autonomia na sala de aula, com dedicação e entusiasmo, conforme se apregoa. Aí, sim, isto fará toda diferença.

Não é viável que mentes evoluídas dos anos 2000 continuem crucificando mestres como fizeram com Jesus há dois séculos.