Acorda, juventude!
Sabemos a força da sociedade como componente díspare para as mudanças sociais. Assim ocorreu na África do sul, contra o regime de segregação racial, com o movimento antiapartheid liderado por Nelson Mandela; no impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, em 1992; na exigência participativa batizada de Primavera Árabe, em 2011; no protesto Occupy Wall Street, conjuntamente em 2011, no qual Nova York reforçava e contrariava a insatisfação com o modelo econômico vigente e com suas consequências; e, ainda, na remota Revolução Francesa (1789-1799), contra o corrupto absolutismo monárquico. Deste modo, é idôneo, neste ensejo, termos como alicerce a análise da política como instrumento fundamental e necessário para a construção de um Estado Social Democrático de Direito, embora haja um conflito social entre aqueles que argumentam: vislumbramos um expressivo déficit participativo da juventude brasileira e o que de fato ocorre, que é uma mobilização juvenil intensa, a ponto de incitar conferências nacionais do tema e organizar grandes entidades como a UNE (União Nacional dos Estudantes), a existência das juventudes partidárias, a construção do coletivo nacional Enegrecer (Coletivo Nacional de Juventude Negra) e, ainda, a criação da Marcha mundial das mulheres, o que, por sua vez, legitima a notoriedade e a indispensabilidade desta compreensão nos dias atuais.
Esta carência de iniciativa e de proatividade defendida por opositores a estas instituições, assim como as ações neoliberais e as influências midiáticas, são as causalidades pelas quais não presenciamos uma maior interatividade. Não obstante, este fato é uma reação à negação da cultura política, que, muitas vezes, parte da falta de projetos e políticas públicas iniciadas nas escolas municipais, estaduais e privadas, com intuito de destinar a grade curricular ao estudo e à interpretação da política no âmbito histórico e contemporâneo. Porém, o que verificamos no atual momento é um pensamento antagônico a este paradigma, em que a juventude somente é despertada a participar da política quando chega ao ensino médio, ou ainda, apenas nas preparações dos vestibulares e do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), no qual o sistema obriga-os a se relacionar e a se atualizar. Por conseguinte, esta carência participativa, provinda da falta de planejamento e de um pensamento histórico reducionista da nossa brasilidade, origina a capacidade de pensar unicamente no privado. Em oposição, o público passa a ser segundo ou terceiro plano, fazendo resultar em uma população alienada, apolítica, inferindo sobremaneira em um analfabetismo político.
Contudo, seremos sujeitos de direito quando fizermos valer os mesmos, e, para isto, a participação é mais que necessária. Em suma, a democracia direta não anula a interação, em que todos gozem de oportunidades paritárias, na qual haja a extinção dos preconceitos, sejam estes de qualquer natureza, já que não podemos negar sua existência. Assim, almejamos que os justos sobreponham-se aos interesses plutocráticos, e, porquanto, estes tabus não superados façam da juventude protagonista da busca pela reversão do cenário brasileiro e impulsionadora da soberania do povo.










