Independência nas eleições
A passagem do dia em que se celebra a Independência do Brasil, quando as campanhas eleitorais estão a todo vapor, soa como um convite à reflexão. O uso da palavra independência, em um momento de extrema dependência política internacional, nem sempre parece muito apropriado. Considerando independência como o estado de quem ou do que tem liberdade ou autonomia, é um tanto difícil a utilização do termo em sua totalidade semântica, seja enquanto país, seja enquanto cidadãos, atualmente.
Alguém pode contra-argumentar dizendo que o Estado é soberano, dono de seu próprio destino. De fato, a Soberania Nacional é um dos fundamentos do Estado brasileiro, segundo a própria Constituição de 1988, mas a sua função de garantir a não intervenção externa em assuntos internos parece facilmente fragilizada quando interesses financeiros entram em cena. Exemplo muito claro disso são as metas – importadas, é claro -, impostas pelo Banco Mundial, ao fazer um empréstimo para o país, envolvendo a educação nacional, como reduzir anualmente as taxas de evasão escolar e aumentar os resultados do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Como pode um país independente sucumbir a tais regras impostas por uma instituição financeira que conhecimento nenhum tem das reais dificuldades enfrentadas pelo sistema educacional brasileiro? E como é feito isso? À custa de uma fórmula que envolve bolsas (pela mera comprovação de frequência escolar) e uma necessidade das escolas de gerar, custe o que custar, os números exigidos pelo Governo. Mas o IDEB não está bom? Tão bom que o aumento das cotas foi recentemente sancionado pela presidente Dilma.
Outro aspecto interessante de nossa necessidade de ainda aplicar o real sentido de independência é verificado nas próprias campanhas eleitorais. A cartilha do bom eleitor é amplamente difundida: escolher um candidato pelas suas propostas e pelo seu histórico político. Em um país que declara nunca ter havido mensalão, para um dos jornais mais prestigiados do mundo, é difícil achar uma mácula sequer no passado de nossos políticos. Outro bombardeio recente é a campanha do não vote nulo. Realmente, é bom que as pessoas não enraízem mitos, como o de que o voto nulo pode anular as eleições, mas é curioso o fato de esse tipo de informação ser, invariavelmente, apregoada por um determinado candidato ou partido. Iluminam as pessoas com esse tipo de informação, mas não abrem mão de mencionar: se você não votar em alguém, como irá cobrar depois?. Então quer dizer que o candidato que ganhar representará apenas os seus eleitores? Nesse caso, que sejam eles os únicos a pagarem impostos também (nada mais justo).
Apologia a qualquer tipo de atitude política ou pensamento nunca foi o objetivo destas linhas, mas sim a manifestação de um desejo de maior conscientização e reflexão compartilhadas com os leitores deste jornal quanto ao que Carlos Drummond de Andrade já declarava: a liberdade é defendida com discursos e atacada com metralhadoras.









