Itamar, Mello Reis e a cultura


Por ISMAIR ZAGHETTO

11/09/2011 às 07h00

Pedem-me com frequência – principalmente alunos – que estabeleça comparações entre Itamar Franco e Francisco Antônio de Mello Reis, quando prefeitos. Nada mais natural, pois fui amigo pessoal de ambos e os servi, igualmente, na vida pública. Do presidente, fui assessor de gabinete na Prefeitura e, mais tarde, diretor da Escola de Saúde Pública de Minas Gerais. De Mello, diretor do Departamento de Bem-Estar Social e, na mesma administração, superintendente da Funalfa.

Quando isso ocorre, gosto de falar de um fato relevante e, via de regra, pouco comentado: o trabalho que ambos desenvolveram no campo da gestão cultural. Sim. Ambos deixaram assinaladas marcas nessa área.

Vejam: enquanto Itamar Franco foi o responsável pela criação da Secretaria de Cultura, que antes fora um Departamento da Secretaria de Educação e Cultura, Mello Reis transformou essa mesma secretaria na Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage, a Funalfa. Percebe-se, pois, que, pelas mãos de ambos, esse importante setor ganhou emancipação e passou a desfrutar da importância que tem na vida política e administrativa contemporânea. E, curiosamente, ambas as realizações foram nos anos 70 do século passado.

Tiveram esses históricos administradores a sensibilidade de perceber que a gestão cultural não poderia continuar sem o prestígio político que sempre lhe configurou a existência entre nossos administradores até então. Convenhamos, cultura foi sempre algo como penduricalho a ser preenchido quando da formação de equipes de Governo.

O desempenho da Funalfa, ao longo dos seus quase 35 anos, faz por merecer o justificado prestígio que hoje desfruta na vida administrativa do município. Pouca gente se dá conta, por exemplo, de que, depois do advento da Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura, a cada ano são editados um mínimo de 40 livros de autores locais, sem falar das outras manifestações artísticas, igualmente destacáveis.

Por justiça e para enriquecimento dos registros históricos, há sempre que se lembrar desses notáveis administradores e de uma área onde ambos deixaram herança de valor extraordinário.