Dia dos Pais


Por JOSÉ ANÍSIO PITICO DA SILVA Assistente social

11/08/2013 às 07h00

Observo, no dia a dia, que o marketing social sobre o Dia dos Pais é muito tímido.Temos poucas propagandas comerciais (gostaria que tivessem mais) na grande mídia, chamando filhos e filhas para presentear seus pais. Será mesmo que os pais são tímidos? Neste domingo, quero, através da Tribuna, parabenizar todos os pais pelo dia de hoje. E, principalmente, o meu – o nosso, porque tenho um irmão – querido pai, Adalberto, o Daú, o homem que não fala, faz!

Como ele é o homenageado do dia, e, através dele, pretendo cumprimentar todos os outros, quero, com a permissão de vocês, escrever poucas linhas sobre ele. Meu pai é único. Não teve, como muitos de sua geração, estímulo dos pais para o estudo, e a oferta era praticamente inexistente para os bancos escolares. Natural de Morro Alto, povoado próximo a Patrocínio do Muriaé, teve no seu pai o grande mestre de sua vida e reserva moral a ser imitada. De grande sensibilidade, preferiu as madeiras, como o pai, para se entender e tornear sua alma. Grande carpinteiro. Prefiro me referir a ele como um excelente artesão. Em Porciúncula, construiu a casa da família. De presente, já me deu, feitos pelas próprias mãos, móveis de dormitório.

Quando adolescente, tenho vivos, na memória, os momentos que, juntos, dividíamos nas pescarias pelo Rio Carangola, os tempos de pelada no clube Caça e Pesca. Aqui, em Juiz de Fora, como esquecer das peladas na rua do Quartel? Meu pai também é um grande contador de causos e de piada. De lembranças, da turma da zoada, dos casos de amores meteóricos. Hoje, costumo brincar com ele e digo: Daú, você é o cara!

Considerando que agosto é um mês tido, pelo senso comum, como sendo um mês de agouro, de azar, de lembrança de morte trágica do ex-presidente da República Getúlio Vargas, ter o Dia dos Pais no calendário social de festividade é, no mínimo, surpreendente.

Não tenho nada contra o mês de agosto. Prefiro o mês de maio. Também observo e tenho a impressão de que a sociedade não valoriza, como deveria, os homens pais-homens. Por exemplo, na gravidez, todo mundo se interessa pela barriga da mãe, e são corriqueiros os alegres comentários do tipo, é para quando o bebê ?, já tem nome?. Poucos interlocutores se dirigem ao pai na gestação compartilhada, como você se sente?; é a primeira vez?. São poucos os bem-aventurados que conversam com o pai: marinheiro de primeira viagem ou não! As atenções ficam todas voltadas para a mãe. Assumo o meu ciúme. A sociedade é matriarcal, embora, em nome de um romantismo de verniz, discrimine as mulheres em setores produtivos profissionais e na vida pública política.

Voltando ao Dia dos Pais. É uma data que deveria ganhar mais holofotes. Eu gosto muito de ser pai, e, graças a Deus, sou e adoro esta condição. Gosto de cuidar e do cuidado. Exemplo: no futebol das quartas-feiras, adivinhem quem liga para os colegas para confirmar que vai ter churrasco? Quem sabe, de cor, o dia do aniversário de todos do grupo? Quem recolhe o dinheiro da vaquinha para pagar a conta da resenha pós-jogo? O papai aqui, ó! E assim vai. Por esta e outras razões que quero dividir com vocês, colegas leitores, parafraseando Adélia Prado, a grande poeta de Divinópolis, a coisa mais importante do mundo é o sentimento. Feliz Dia dos Pais!