Estendamos as mãos


Por IRIÊ SALOMÃO DE CAMPOS, COMUNIDADE ESPÍRITA A CASA DO CAMINHO Aproximam-se os dias em que seremos bombardeados pela campanha eleitoral onde seus personagens ressurgem como Fênix, tomados de ideais. De nossa parte, ouvintes engajados ou não, faz-se necessário redobrar as atenções, visto que o mote eleitoral é o bem-estar da comunidade na qual se vive. A questão é: política e futebol fazem emergir instintivas paixões e, claro, há o risco iminente de um conflito pessoal de consequências incalculáveis por causa de uma opinião adversa que, como tal, não aceitamos em hipótese alguma.

11/08/2012 às 07h00

Pelo que sentimos examinamos o comportamento alheio, o pensamento do outro é avaliado segundo nossa crença e fundamentado nos valores morais do que vemos à nossa volta. Concordamos com aqueles que concordam conosco, gostamos dos que gostam de nós. Tornamo-nos paradigmas sociais, e o que está em desacordo ou fora do padrão é defeituoso e como tal deve ser tratado. É bom lembrar que deste raciocínio nasceram todas as ditaduras, governos violentos, guerras religiosas e a infame Santa Inquisição. As leis humanas e as instituições que delas brotam, ou vice-versa, são tão falhas quanto seus criadores e, como tal, passageiras, porém, a existência é eterna em espírito e verdade. Os interesses defendidos hoje formarão as bases sociais em que viverão nossos filhos e netos.

Por isso é necessário redobrar a atenção. Alguns dizem não haver mais jeito, e o melhor é detonar tudo. Recorda Paulo, o Apóstolo, ao dizer que … nada é puro para os contaminados. (Tito, 1:15.). Quando a sombra vagueia em nossa mente, não vemos senão sombras em todos os lugares. São os tempos do chamado baixo-astral e ao somá-lo às paixões políticas, feito lupa, amplia-se o risco.

Então, recorremos ao Evangelho para encontrar Pedro, o Pescador de Almas, restaurando a irmã Dorcas para a vida (Atos, 9:41.), que ensina que não basta a predição, e que há muito pouco aproveitamento naquele que se limita ao pronunciamento de discursos admiráveis. A fé sem obra é morta. Jesus, ao doutrinar no monte centuplicou os pães saciando a fome e restabelecendo o ânimo dos necessitados.

Se em alguns, de fato, reside o desejo de um mundo melhor, é necessário ser verdadeiramente cristão ao encontrar o semelhante caído à beira do caminho. Faça o possível para despertá-lo com todos os recursos restauradores, não se esquecendo de trazê-lo novamente à vida digna e construtiva. Estenda as mãos fraternalmente, dando o apoio para erguer o corpo, oferecendo segurança moral em nova caminhada. No exercício da melhoria social, é imprescindível usar as mãos para obras do bem. No esforço dos braços demonstramos a dedicação à causa nobre e o empenho das mais profundas energias para a realização do ideal pretendido. Até o presente medimos o mundo segundo nossos conceitos. Cristianizando-nos, encontraremos em Jesus exemplo que nos arrasta.