A solução é privatizar


Por PAULO CESAR DE OLIVEIRA - JORNALISTA E DIRETOR-GERAL DAS REVISTAS VIVER BRASIL E ROBB REPORT

11/06/2013 às 10h59

Não chega a ser novidade tudo o que foi dito no 1º Fórum de Infraestrutura e Logística, realizado na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte, com o governador Antonio Anastasia anfitrionando políticos e empresários, numa promoção do Lide – Grupo de Líderes Empresariais (que tem à frente o competente empresário João Doria Junior). Mas nem por isso os fatos deixam de ser escandalosos. Talvez a revelação mais emblemática tenha sido a de que o Ministério dos Transportes tenha conseguido, passados mais de cinco meses do ano, gastar apenas 20% daquilo que foi destinado a ele no orçamento da União.

César Borges até concorda que o seu ministério, que passou a ocupar recentemente, foi bem aquinhoado na divisão das verbas. Para os Transportes, foram reservados R$ 15 bilhões, mas, até agora, por causa da burocracia ou pela ação do Tribunal de Contas, apenas R$ 3 bilhões foram gastos. Borges acusa o TCU de ser paralisador de obras. Alguma razão o tribunal tem para agir assim, e o ministro deve ficar atento, muito mais do que parece estar, com este problema que sinaliza mau uso de recursos públicos.

Seja por fúria paralisante, seja por questões ambientais, o que assusta é o fato de o ministério estar assentado sobre R$ 15 bilhões enquanto o Brasil que produz fica parado em longas filas ou em buracos nas rodovias. E, pelo visto, vamos continuar dependendo delas por mais dezenas de anos. Sistema ferroviário não temos, admitiu Bernardo Figueiredo, presidente da EPL – Empresa de Planejamento e Logística. Lembrando que temos algumas ferrovias construídas há mais de cem anos e outros trechos totalmente ocupados com o transporte de minério, sobrando quase nada para outros setores produtivos.

De tudo o que foi ouvido, ficou a certeza de que precisamos privatizar rapidamente toda nossa logística ou vamos ficar a cada dia mais distantes do mundo que produz. Outra certeza é que só vamos avançar com sustentabilidade quando conseguirmos eleger políticos com espírito público, não espírito de urnas.