Áreas verdes de JF
Juiz de Fora chama a atenção por não possuir grandes áreas verdes abertas à visitação pública. Esses espaços são relevantes para a manutenção de ciclos naturais, como a recarga dos aquíferos (mananciais de água subterrânea), para a redução dos efeitos da ilha de calor, típica de regiões urbanizadas. Esta recarga consiste no aumento da temperatura da área central da cidade em relação ao entorno, com menor densidade de construções, para infiltração das águas pluviais, dificultadas com a impermeabilização do solo pelo asfaltamento, além de ter um efeito psicológico importante, que reflete na qualidade de vida da população.
Aqui, além de a arborização ser deficitária, os fragmentos de mata mais relevantes possuem acesso restrito, como a Reserva Biológica Municipal do Poço D’anta, que é a mais restritiva unidade de conservação dentre as previstas na Lei 9.985/2000, que versa sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC); a Mata do Krambeck, que é uma Área de Proteção Ambiental Estadual, que, embora menos restritiva, também não está aberta à visitação; e outras áreas, como a Reserva Biológica da Fazenda Santa Cândida e a mata do Morro do Imperador, tombada como patrimônio municipal.
Em uma cidade de porte médio e com a influência que Juiz de Fora exerce sobre os municípios da mesorregião da Zona da Mata, nos parece, no mínimo, estranho não dispormos de áreas verdes abertas para a recreação, para a prática de caminhadas, trilhas e de contemplação pela população residente e por aqueles que visitam a cidade. Infelizmente, na Zona da Mata, a vocação agropecuária historicamente se consolidou em bases pouco sustentáveis, como revela a recorrente prática de queimadas, sobretudo nessa época do ano, de estiagem e baixa umidade do ar, que agrava os efeitos da poluição à qual a cidade já está sujeita devido à crescente frota de automóveis. Assim, pensamos serem necessários estudos que viabilizem a utilização dos remanescentes que a cidade abriga em consonância com a preservação do pouco que ainda nos resta e que se encontra atualmente protegido por lei.
Certamente, a inserção responsável da comunidade nessas áreas poderá se mostrar como uma valiosa ferramenta para a preservação das mesmas, como ocorre, por exemplo, nos parques africanos, que, ao trabalharem em parceria com as comunidades do entorno, conseguiram reduzir drasticamente a caça ilegal, as queimadas e o desmatamento. Estamos cientes do enorme desafio, como a elaboração dos planos de gestão ou manejo (que algumas unidades como o Poço D’anta já possuem), a busca de recursos para a construção de infraestrutura, a prática permanente da educação ambiental, entre tantos outros. Não podemos, porém, nos omitir e deixar relegadas essas áreas, como estão hoje, sem perspectivas e ameaçadas pelo crescimento da cidade e pela indiferença daqueles que ignoram sua existência e importância.
Em um ano tão significativo, em que foi realizada a Rio+20, a maior conferência das Nações Unidas para a discussão do meio ambiente – na qual o novo Código Florestal, que beneficia o agronegócio em detrimento do meio ambiente, está a um passo de ser aprovado – e em que ocorrem eleições municipais em todo o país, é mais que tempo para a questão socioambiental entrar realmente na pauta política, não como retórica, mas como uma práxis transformadora do atual modelo predatório de desenvolvimento.










