Brasil tetracampeão
Brasil tetracampeão da Copa das Confederações patrocinada pela Fifa. Parabéns, atletas brasileiros. Meus pêsames, dirigentes da Fifa e brasileiros. E daí? Sob a ótica esportiva, tendo o futebol como pano de fundo, o que adiantou uma competição como esta? Aliás, podemos denominar esse encontro de times como competição, como o nome sugere? Que competição é essa, primeiramente, curta, e que compara os desiguais? Espanha 10 x 0 Taiti, Uruguai 8 x 0 Taiti. Sob a ótica do Taiti, o que seus jogadores aprenderam?
Nada, absolutamente nada. Só levaram para seu país a humilhação. Brasil e Espanha, sim. Compararam-se os iguais. Deu Brasil, mas, se fosse a Espanha que saísse como vencedora, não seria nenhuma aberração futebolística. Os dirigentes da poderosa Fifa, que há mais de cem anos consideram-se acima da soberania dos seus países-membros, exigindo a construção de novos estádios, reformas faraônicas em outros tantos para que poucos usufruam de benefícios em poucos dias da semana. Eles não têm consciência dos custos que governos como o nosso têm que dispor para realizar tais obras, em detrimento dos nossos problemas internos.
Alimentar todos os dias milhões de carentes, dar assistência médica, hospitalar e educacional, deslocar milhões de pessoas nas cidades de portes médio e grande, dar mobilidade nessas mesmas cidades, residências dignas para a população de baixa renda, gerar empregos. De certa forma, por exemplo, obrigaram o Governo brasileiro a demolir a marquise do Maracanã e a substituí-la por uma espécie de lona, que, garantem seus fabricantes, terá uma vida útil de 50 anos só para que torcedores fiquem mais bem acomodados em competições em dias de chuva. Sem comentários.
Só daqui a 50 anos é que se saberá se realmente acontecerá. Esse tipo de competição só serve para encher os cofres dessa entidade. Há pouco tempo, as agências internacionais noticiaram a corrupção que tem na estrutura da Fifa. Envolve até dirigentes brasileiros. O Maracanã foi projetado em 1948 e ficou parcialmente pronto em 1950 para a Copa do Mundo, que foi disputada aqui. Na época, foi considerada uma das grandes obras de engenharia projetada por profissionais brasileiros e edificada por construtora também brasileira. Sua obra-prima foi justamente a marquise, devido à sua envergadura, tanto pelo método de cálculo estrutural existente na época quanto por sua construção.
Que o velho Maraca precisava de uma reforma mais profunda, isso é verdade. Aliás, como toda obra, com o decorrer dos anos, há necessidade de reformas. Entregue para a Copa de 1950, somente entre 1963 e 1965 é que se iniciaram as obras de conclusão, já no Governo de Carlos Lacerda, então governador do extinto Estado da Guanabara. Os recentes movimentos de ruas tinham em sua pauta um não à extravagância de gastos públicos mal aplicados.
Apoio este item da pauta. Só que estão há pelo menos cinco anos defasados na sua reivindicação. Tínhamos é que ter ido para as ruas dando um basta no imperialismo da Fifa. Quando o Governo se propôs a patrocinar os eventos esportivos como a Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíadas, só queria obter dividendos políticos, quem sabe, dividendos financeiros e perpetuação no poder. Um dia, aparecerá o lixo que está escondido sob o tapete da democracia brasileira.











