Educar é mais importante


Por SAGRADO LAMIR DAVID

08/12/2011 às 07h00

Pergunto-lhes com sinceridade e transparência: até onde nós, que tivemos acesso ao estudo, à saúde e à segurança, somos mais culpados do que aqueles que enchem as prisões, amontoados como cães raivosos à espera do extermínio, esticando seus braços por fora das grades, gesticulando com movimentos nervosos dos dedos, a mostrarem que, onde cabem dez, estão colocados mais de cem cidadãos? Cidadãos, disse-o eu? Sim! Cidadãos como nós, supostos privilegiados por direitos de todos, e que se tornam privilégios porque não atingem a seu alvo democrático: toda a cidadania! E daí, José?, como diria Drummond, e eu, sem ser José, mas respondendo por todos esses anônimos josés que nascem ninguém sabe nem onde nem como – olha aí a explicação do apelido de Nem – que trafegam na contramão do estudo, da saúde e da segurança, e só aprendem a sobreviver, doa a quem doer!

Enquanto isso, a impunidade campeia no asfalto, nas rodas da elite, da politicagem, e de todos que controlam a felicidade do povo, preparando com antecedência – e com fausto – vendendo as almas ao diabo os anestésicos da vontade e da coragem do ingênuo povo verde-amarelo: a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016! Meanwhile, como diria Obama a Dilma, a cada dia, os fichas sujas, de corpos limpos e perfumados, cabelos tintos e escovados, bigodes bem aparados, preenchem o cenário fantástico de Brasília, não fosse ela a Ilha da Fantasia!

Se, em vez de prisões, construíssemos muitas escolas, com professores bem pagos e capazes, e se permitissem a todos – delinquentes também – frequentá-las, conscientes de um respeito mútuo entre quem aprende e quem ensina, garanto-lhes que essa Justiça injusta, que só anda em câmera lenta – e que falha, porque tarda – apareceria, como por milagre, a ponto de obter, por educados e corajosos, o aval dos próprios punidos, na demonstração cabal de que o bom julgador – o próprio réu – a si se julga, é lógico, desde que tenha a consciência civilizada de que nada lhe faltou – da educação, da saúde e da segurança – para justificar que transferiu criminosamente a justa revolta contra a sociedade madrasta que os puniu com a falta de oportunidades!

Enquanto isso, na tradução do mesmo meanwhile de Obama para Dilma, os ministros vão deixando o cenário corrupto de Brasília para usufruírem em paz do produto de seus desvios éticos de funcionários da pátria, e o povo…bem… o povo…o povo que se exploda!, como diria o exemplar Justo Veríssimo! Em vez de nos preocuparmos em aumentar o número de prisões para punir as reais vítimas dessa criminosa falta de oportunidades geradora da maioria de nossos pobres ladrões – rico é corrupto – devíamos fazer como fazem os chilenos, ao reclamarem do Governo pela melhoria imediata do nível educacional das instituições, que são muito mais manejadas com fins duvidosos de políticos irresponsáveis, ao contrário de serem entregues a mãos competentes e cultas. Se temos hoje o CNJ em plena atividade recuperadora da Justiça, por que não criarmos – de fato – um CNEC – Conselho Nacional de Educação e Cultura – para, de cima para baixo – de onde vem o exemplo – reformularmos o futuro da brasilidade!