Educando as crianças


Por LUÍS EUGÊNIO SANÁBIO E SOUZA Escritor

08/05/2013 às 07h00- Atualizada 02/03/2018 às 13h41

A tarefa educativa pertence prioritariamente à família. A família estável é a primeira e principal escola da vida. É nocivo e injusto o costume de transferir totalmente a responsabilidade educativa dos pais para as creches e escolas. Sobre isso, deve-se reconhecer que estas instituições públicas ou privadas ajudam e auxiliam os pais, mas não substituem o papel primordial da família, que permanece como a célula primeira e vital da sociedade.

Creio que há um justo meio-termo entre a severidade excessiva dos pais, que reprimem a criança, e o outro extremo da excessiva frouxidão, que permite à criança fazer o que queira com o pretexto de que desenvolva a sua personalidade. Sobre isso, deve-se lembrar que o permissivismo é um erro que gera indisciplina e insegurança na criança. Para evitar na criança a confusão e o queixume, depois de fixadas certas normas justas e adequadas à sua idade, dever-se-á ser firme no seu cumprimento, de maneira tal que se torne um hábito a ela. Deve a criança saber que pode confiar na palavra dos pais e que o que for por eles dito sempre se cumpre.

Desconcertante se torna, porém, para a criança que um dia se aprove e, em outro, desaprove o mesmo ato, pelo que isto deverá ser evitado. É conveniente, à medida que aumenta a capacidade de compreensão da criança, explicar-lhe, se possível, o porquê do que se ordena a ela para ver que o que inspira os pais é o desejo do bem comum ou o seu próprio bem. Não se transformará assim em autômata e terá consciência dos benefícios decorrentes do cumprimento de seus deveres. Consequentemente, a criança obedecerá aos pais por amor e também pelo desejo de que se reconheçam as boas qualidades dela. Sem chegar a extremos contraproducentes, deve-se elogiar o bom procedimento da criança, estimulando-a a persistir em fazer o bem. Não se deve aplicar castigos que possam danificar física ou moralmente a criança. A privação de alguma gulodice favorita ou passeio e, nas crianças sensíveis, a simples desaprovação de um mau procedimento bastam em geral como castigo, sem se esquecer de que, uma vez cumprido, deve a criança ter a sensação de que tudo ficou em paz, pois lhe faz mal suportar por muito tempo o sentimento de culpabilidade.

Sabe-se que, frequentemente, a televisão transmite programas que banalizam a sexualidade e que estimulam as mais diversas vulgaridades. Estes programas podem arruinar a formação moral das crianças e dos adolescentes, e, por isso, os pais têm o dever de impedir a difusão destes males em seus lares. Apresentemos à criança os clássicos infantis da literatura, das belas artes e da música edificante. A verdadeira beleza, uma espécie de espelho do divino, inspira e vivifica os corações e as mentes mais jovens, ao passo que a torpeza e a vulgaridade têm um impacto depressivo sobre as atitudes e os comportamentos. É importante destacar que os pais têm a missão de ensinar os filhos a orar e a descobrir sua vocação de filhos de Deus.