Catedral: restauração esperada
O povo de Juiz de Fora e das cidades vizinhas acompanha há alguns anos a reforma da Catedral Metropolitana. As primeiras intervenções foram nas salas e salões anexos, com o principal objetivo de otimizar o atendimento a centenas de pessoas que todos os dias passam por ali. Tudo foi pensado para acolher bem e oferecer espaço adequado e digno das atividades religiosas. Também já foram realizadas intervenções externas no edifício e no jardim, incluindo grades para proteção do espaço sagrado.
Chegou a hora mais importante da reforma: o interior do templo. Ela inclui restauração de elementos artísticos e históricos. Sabemos que a Igreja-edifício deve abrigar, acolher, favorecer o encontro das pessoas em comunidade e com o Senhor Deus, ser sinal sensível do mistério ali celebrado e permitir o bom desempenho das várias ações litúrgicas. Ao mesmo tempo, a reforma deve proteger os elementos que fazem parte de nossa história. Por isso, uma equipe coordenada pessoalmente por mim, Arcebispo Metropolitano, tem se empenhado nos estudos, discussões e decisões. Os critérios para a reforma têm sido bem traçados, sobretudo a partir das teorias que pude estudar, no curso de Mestrado em História Eclesiástica, realizado em Roma, incluindo matérias de especialização em arte sacra. Uma boa prática na área, seja em Minas, seja em São Paulo, tem nos ajudado.
De modo geral, qualquer projeto arquitetônico de igrejas, seja para as reformas e adaptações, seja para novas construções, deve atender aos diversos aspectos de organização, iluminação, conforto térmico, sonorização e adequação à legislação, arte e beleza procurando corresponder à dimensão funcional e simbólica da liturgia.
Para a Catedral de Juiz de Fora, três critérios têm norteado a definição do projeto. O primeiro deles é o histórico, buscando a recuperação dos elementos artísticos do templo que foram se perdendo nas últimas pequenas reformas. Entre eles estão pinturas de paredes que foram cobertas e que podem, com técnica especial, ser recuperadas. Neste sentido, preservar-se-á tudo o que tiver valor artístico, inclusive as mesas de comunhão e os altares laterais, além da revitalização das pinturas existentes.
O segundo critério é a melhor adequação às reformas litúrgicas propostas pelo Concílio Vaticano II, fundamentadas na Constituição Sacrosanctum Concilium com destaque para a definição do lugar da mesa da Palavra, e da mesa da Eucaristia, ou altar, e do batistério.
A acessibilidade a todos é o terceiro critério, inclusive procurando adequação à nova legislação. É preciso considerar que pela Catedral de Juiz de Fora passam milhares de pessoas nas celebrações dominicais e festivas, entre elas pessoas com necessidades especiais e também idosos. Engenheiros, arquitetos e outros técnicos têm muito contribuído para a concepção do espaço com garantias de funcionalidade, acesso e segurança.
A esperada reforma está chegando. Vamos todos nos empenhar em compreender o significado das intervenções e colaborar na educação da percepção artística do espaço sagrado que contribui fundamentalmente para a experiência do Mistério Santo.











