Moderação de tráfego
A ONU, preocupada com a tragédia dos acidentes de trânsito no mundo, propôs, em 2010, a realização de uma Década mundial de ações para a segurança no trânsito (2010/2020). Estatísticas apontam que, no mundo, o trânsito mata por ano mais de 1,3 milhão de pessoas e faz entre 20 e 50 milhões de feridos, vítimas da violência, provocada pelo próprio homem que, ao assumir a direção de veículos motorizados, se transforma, esquecendo-se de que também é humano e pedestre. O Brasil, lamentavelmente, coloca-se em quinto lugar em volume de acidentes viários – por aqui morrem, por ano, mais de 60 mil pessoas, vítimas de acidentes de trânsito.
O objetivo da proposta da ONU é o de reduzir em pelo menos 50% os índices dessa tragédia, que destrói prematuramente preciosas vidas humanas em todo o mundo. Para que esta meta seja atingida, os países participantes do projeto são incentivados a investir em ações de educação, fiscalização, intervenções nas vias, punindo sempre exemplarmente a imprudência e a negligência.
O excesso de velocidade tem sido a principal causa dos acidentes de trânsito. Para frear esse ímpeto de destruição, a engenharia recomenda a aplicação da moderação de tráfego, ou traffic calming. Dentre as medidas que integram esse sistema, incluem-se as faixas elevadas para travessia de pedestres. Tais dispositivos, quando instalados nas vias, têm por objetivo a redução da velocidade, com vistas ao aumento da segurança, sobretudo em relação ao pedestre que, incontestavelmente, é o principal e mais importante ator do trânsito.
Nos países desenvolvidos, a preocupação com a qualidade de vida tem sido motivação para restringir o uso de automóveis nas cidades. A vida urbana deve ter foco no pedestre, no transporte não motorizado e no transporte coletivo. A preocupação com o fluxo nas vias exclui o automóvel, que deve permanecer, o quanto possível, nas garagens. Sob esse aspecto, podemos afirmar que a moderação de tráfego, ou traffic calming, aplicada em algumas das principais vias da cidade, é uma medida correta e providencial, cujos resultados devem ser comemorados em face da acentuada redução dos acidentes de trânsito ocorrida até agora em relação ao mesmo período do ano passado.
Retirar as faixas elevadas de travessia (traffic calming), onde foram convenientemente instaladas com vistas à redução da velocidade nas vias, é um retrocesso. É contrariar medidas de segurança de tráfego, é incentivar a continuidade do mau comportamento negligente e imprudente de motoristas, sobretudo profissionais do transporte coletivo, que sequer têm consciência e capacidade técnica para entender que transportam seres humanos, e não sacas de batatas, a bordo dos veículos que conduzem. Questões que envolvem trânsito exigem projetos técnicos, simulações das intervenções pretendidas, competência, sensatez e equilíbrio. Esta é a regra, pois na engenharia de tráfego não há espaço para experimentações laboratoriais.









