Nossa responsabilidade


Por IGREJA EM MARCHA Leigos católicos

07/07/2012 às 07h00

Na semana passada, o IBGE publicou resultados do Censo Demográfico de 2010. A Tribuna, no último dia 30, destacou em primeira página: Número de católicos tem redução de 9,2% em Juiz de Fora, e a Folha de São Paulo: O Censo aponta queda de número de católicos pela 1ª vez no Brasil. Esse fenômeno demográfico não assusta os católicos mais conscientes, pois era conhecido, mas os questiona: qual é a responsabilidade deles nesta situação?

Comentando esses dados, o demógrafo José Eustaquio diz que, mantida a tendência das últimas décadas, o número de evangélicos irá superar o de católicos em 20 ou 30 anos; o maior país católico do mundo vai deixar de ser católico. O pós-doutor em teologia e professor de pós-graduação em ciência da religião da UFJF Faustino Teixeira afirma que o catolicismo é um doador universal de fiéis, principalmente para os pentecostais, e comenta: existe uma inadequação do catolicismo com as expectativas dos fiéis. Isso porque há uma dificuldade de comunicação da mensagem. Nos últimos 30 anos, o mundo se modernizou, e a Igreja retrocedeu o seu diálogo. O Padre Thierry Linard, designado pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) para comentar a pesquisa, afirma que esses dados refletem uma falha institucional da Igreja católica.

A dificuldade de diálogo da Igreja com o mundo moderno já preocupa a própria Igreja há muito tempo. O Papa João XXIII convocou o Concílio Vaticano II em 1962 com o objetivo de abrir o diálogo. De fato, o concílio abriu a Igreja à modernidade, sinalizou para atuação (aggiornamento) da mensagem e das modalidades de comunicação desta mensagem no mundo de hoje. Na Igreja da América Latina, aconteceu a renovação litúrgica e catequética, a reflexão teológica se abriu, partindo da realidade concreta do povo, a leitura e a meditação bíblica se expandiu sobretudo nos meios populares, novos ministérios foram criados, comunidades de base se multiplicaram, enfim houve resposta aos apelos do concílio.

Constatado retrocesso e falha institucional, a Igreja precisa voltar ao espírito do Concilio Vaticano II no seu cinquentenário; reencontrar a sua verdadeira identidade, Povo de Deus (unidade na diversidade), a abertura ecumênica, a capacidade de atração, em particular, em relação à juventude, a vontade de sanar falhas institucionais, enfim, a criatividade para responder aos novos desafios. Isto é tarefa de toda a Igreja, hierarquia e laicato.

Voltando à pergunta inicial, sobre a nossa responsabilidade como leigos e leigas católicos, protagonistas da nova evangelização: temos que olhar a realidade, discernir e estabelecer opções prioritárias e assumir compromissos no campo social e político para colaborar na realização das transformações socais, políticas e econômicas mais necessárias e urgentes, por exemplo, aquelas assinaladas no documento final da Cúpula dos Povos, reunida por ocasião da Rio+20 . O Conselho Nacional do Laicato do Brasil – CNLB, no seu segundo boletim, Um olhar, nos oferece vários artigos inspirados nos textos conciliares, para aprofundar nossa reflexão e contribuir para que nossa Igreja seja mais atraente.