Rio+20 e os idosos


Por JOSÉ ANÍSIO PITICO DA SILVA - ASSISTENTE SOCIAL

07/06/2012 às 07h00

Na direção da Rio+20, permito-me fazer uma analogia com a comemoração dos 24 anos (quatro a mais) de existência do Pró-Idoso na cidade, no próximo dia 17. Os idosos conquistaram uma velhice sustentável nesse período? A cidade os incluiu na esfera econômica, ambiental, social e cultural? Se temos ainda uma velhice insustentável – é o que me atesta o dia a dia profissional – posso afirmar que precisamos avançar muito, para que a cidade se torne um lugar melhor para se viver e, consequentemente, para envelhecer.

No recente painel temático Como é envelhecer em JF?, promoção do Conselho do Idoso, por conta do aniversário da cidade, ouvindo alguns idosos, eles afirmaram que Juiz de Fora precisa urgentemente destinar políticas públicas para a velhice. A cidade não está preparada para cuidar de seus cidadãos mais velhos (o Brasil não está), e eles já somam mais de 70 mil pessoas no município. O número de idosos fora da tão falada rede de proteção social é muito maior do que os que estão dentro dela, e convenhamos: rede eficaz mesmo, só a dos pescadores, porque a nossa é falha.

A articulação entre nós, que atuamos na gestão pública dos serviços sociais destinados aos denominados usuários das políticas públicas, deixa muito a desejar. Não sabemos trabalhar intersetorialmente. Cada um fica no seu quadrado e ponto.Nem mais, nem menos. Conquistas? Claro que há, mas, nos últimos 20 anos, como na conferência do Rio, as medidas elencadas não saíram do papel – aqui como lá – e parece ser essa a sina das deliberações desses encontros. Muita mídia e poucos resultados, como nas conferências dos segmentos sociais.

Por aqui já realizamos três conferências municipais para os direitos sociais dos idosos. E o que, de fato, foi implementado? Pouco. Muito pouco. Não é raro: os próprios gestores desconhecem essas deliberações! Assim como acontecerá a Rio+20, faremos mais conferências, fóruns e outros mecanismos sociais e políticos de debates públicos sobre as questões sociais da nossa cidade, a cidade que queremos, pois o futuro é hoje. O momento das eleições municipais que se aproxima é muito próprio para a sequência desses debates sobre a vida que queremos para a nossa Juiz de Fora. As pessoas precisam participar deles. Crianças, jovens, adultos e idosos – homens e mulheres. A cidade é nossa, é a nossa casa. Não custa repetir essa ideia. Fica o desejo, o sonho de uma cidade sustentável para todas as idades. Um lugar seguro, sem fome, sem discriminação, com cuidados e oportunidades para todo(a)s.