JF, o alemão vai te pegar!
Não se tratam de traficantes fugitivos do Morro do Alemão (pacificado), do Rio de Janeiro, nem de ameaças do querido povo germânico, muito bem representado em nossa cidade por inúmeros descendentes dos bairros São Pedro e Borboleta. Falo de outro alemão, que está se alastrando e preocupando vários países em todo o mundo: Alzheimer.
Ao descobrir esta doença em 1906, o doutor Alois Alzheimer descreveu acertadamente os três principais sinais: problemas sérios com a memória, alterações importantes de comportamento e perda da independência e autonomia. Mas sequer imaginou o alcance das proporções que a doença teria na virada do milênio. A doença de Alzheimer já é considerada a grande epidemia do século XXI. Mais, é uma pandemia de alcance mundial, ainda sem cura, sentida seriamente nos países mais ricos e avançando celeremente para os países menos desenvolvidos. Acima de cinco milhões de pessoas idosas acometidas nos Estados Unidos. Na Europa, perto de sete milhões de pessoas idosas.
O que está dando impulso a essa tão temida doença é justamente uma grande conquista da humanidade: o envelhecimento populacional. A expectativa de vida está aumentando a cada década, e Juiz de Fora é considerada uma das cidades mais envelhecidas do Brasil. Temos perto de 75 mil pessoas idosas, o que corresponde a 14% de toda a população. As mulheres estão chegando facilmente aos 80 anos, enquanto os homens penam para passar dos 70 anos. E o Alzheimer? Raro antes de 60 anos e incomum antes dos 70 anos, somente após os 80 anos é que aparece com números realmente preocupantes: 30% das pessoas idosas com mais de 80 anos poderão ser acometidas por Alzheimer!
É uma doença da família, pois quem sofre para cuidar da pessoa idosa com Alzheimer é a esposa, a filha, a irmã, a neta, com o auxílio de outros familiares. É uma das doenças mais caras do mundo, com medicamentos caros, que requer profissionais de saúde capacitados, contratação de cuidadores de idosos ou institucionalização em casas de repouso. A família praticamente arca sozinha com este custo altíssimo. Em nossa cidade, temos perto de 12 mil pessoas idosas com mais de 80 anos (IBGE, 2010). A equação é clara e cruel: quatro mil pessoas idosas em Juiz de Fora com Alzheimer! Um lembrete: daqui a 20 anos, teremos em nossa cidade 30 mil idosos com mais de 80 anos. E 30% de 30 mil é…
O Brasil (Juiz de Fora também) está carente de cuidados com as pessoas idosas mais dependentes. Temos muito pouco a oferecer em termos de assistência à saúde e de assistência social. Quase nada é oferecido para as milhares de famílias que cuidam de seus idosos com Alzheimer em nossa cidade. O que era para ser um direito de todos e um dever da Nação, do Estado e do Município (artigo 196 da Constituição Federal) é letra morta e esquecida na Carta Magna e no Estatuto do Idoso.
Precisamos sempre lembrar que todos nós também ficaremos idosos (graças a Deus), sem distinção de cor, sexo, situação econômica ou social. A doença de Alzheimer é democrática. Não faz também nenhuma distinção, e todos estão no mesmo barco. Copiando uma brincadeira comum em rodas de conversas, quando uma pessoa esquece algo, diz o alemão tá me pegando. Fica o alerta: Cuidado, Juiz de Fora, ‘o alemão’ vai te pegar!.











