Reforma ministerial em curso
Mais um ministro apadrinhado pelo presidente Lula foi catapultado de sua cadeira. É o sexto em seis meses da era Dilma, sendo cinco por denúncias de corrupção e um, Nelson Jobim, por discordância pública com a presidente, situação também constrangedora. Como os que lhe antecederam na catapultagem, Orlando Silva jurou inocência, insinuou fogo amigo, culpou a imprensa. Acabou não resistindo aos novos fatos que a cada dia iam surgindo. Aqui não se diz que o ex-ministro seja culpado de tudo o que lhe é atribuído, mas também não se aceita que ele não tenha qualquer culpa, nem que seja por omissão ao não vigiar seus apaniguados dentro e fora do ministério.
Nesta defesa inglória, em que cuidou mais de desqualificar o acusador do que desmenti-lo, Orlando Silva acabou deixando exposto, por vários dias, o Governo e levou a presidente Dilma a se envolver num processo do qual não deveria participar. Ela tentou defender seu ministro, quem sabe indiretamente buscando proteger Lula que o apadrinhou. Acabou tendo que ceder às evidências e queimando um pouco do crédito que conseguiu amealhar lá atrás, até mesmo junto a adversários, quando agiu rápido e demitiu os malfeitores- como ela os chama- do Ministério dos Transportes, muito embora, diga-se, tenha tentado salvar o ministro, que era o centro das denúncias.
Que o episódio de agora sirva para a presidente entender que não tem o direito à ingenuidade. Se o acusado tem o direito à presunção da inocência, ela deve reservar para si o direito à dúvida. E se manter afastada. Em tudo ela é a palavra final e por isto precisa preservar-se para o momento de agir. Em seis meses de Governo, Dilma foi obrigada, e pelo motivo mais desgastante politicamente, a corrupção, a mudar seu ministério cinco vezes. Demitiu um sexto por discordância, ou quebra de hierarquia, e remanejou outro por incompetência. É muita coisa para apenas dez meses de Governo.
Um incêndio atrás do outro para apagar, sem contar o risco de explosão da crise econômica. E outros dois focos de incêndio estão surgindo no Ministério do Trabalho, com Carlos Lupi, por envolvimento também com ONGs, e no Ministério das Cidades, com Mário Negromonte, por razões diversas. Lupi também é da cota de Lula. Toda esta situação, garantem políticos próximos à presidente, vai levar a uma ampla reforma ministerial. Dilma vai se aproveitar da necessidade de alguns ministros deixarem os cargos para as disputas municipais para mudar aquilo que pensa necessário, colocando gente de sua confiança nos cargos. Tanto quanto possível, ela vai continuar prestigiando os partidos buscando nas legendas que a apoiam nomes para a equipe. Mas, garantem seus interlocutores, não está disposta a manter o esquema de feudo, em que os partidos são donos de determinados cargos, como nos casos dos ministérios do Esporte, Cidades e Transportes. Se levar adiante o projeto de escolhas pela competência, ela não vai precisar temer pela governabilidade. Terá o apoio popular e, com os bons índices de aprovação que as pesquisas lhe dão, nem precisará chamar os políticos. Quem os conhece sabe que eles vão atrás como cordeirinhos.










