Novos idosos
O mundo mudou: afirmação mais óbvia do que essa é impossível existir. Das mudanças mundiais, uma com a qual me encontro envolvido profissionalmente e como cidadão é com o envelhecimento das cidades e de seus habitantes. Aqui ou em qualquer canto do planeta, as pessoas tendem a viver mais. Exceções existentes em lugares extremamente miseráveis, onde as pessoas não têm como avançar em idade por conta de guerras, tirania de governos, fome e outras severas adversidades. Viver mais é uma das maiores conquistas da humanidade. O Brasil está nessa. Apesar de sua preparação para esta realidade ser (quase) inexistente; para não dizer nula. Ficaremos velhos antes de nos tornarmos um país rico, pelo grande mal que temos, que é a injustiça social.
O Brasil está preparado para envelhecer? JF está? Não – nem o país nem a cidade. Nossa cultura ainda é muito hostil ao envelhecimento. Não somos uma nação forte na educação da sociedade para o respeito às pessoas idosas, apesar do crescente aumento do número de idosos entre nós. E de mais a mais, ninguém muda de comportamento por decreto: como diz um amigo meu, isso é uma longa história!
Quando se fala em cuidar de idosos, o que se está entendendo é que quem vai cuidar dele(a) é a mulher. O cuidado é feminino (conheço casos raros de que quem cuida é o homem – não é comum). No rigor das leis, tanto pela Política Nacional do Idoso – lei n. 8842, de 04/01/94, quanto pelo Estatuto do Idoso, lei n. 10741, de 01/10/03, o cuidado ao idoso é obrigação da família, do estado e da sociedade. O que nos informa o cenário atual, passados 17 anos da PNI (Política Nacional do Idoso) e oito do Estatuto do Idoso?
Vejamos: a família, tal como o mundo, até porque faz parte dele, há muito que não é a mesma. Estamos vivenciando aquilo que os estudiosos denominam de novos arranjos familiares. As famílias diminuíram de tamanho. O número de filhos por mulher decresce no mundo inteiro. A mulher trabalha fora. Participa ativamente do mercado de trabalho. Não é tão invisível assim o estabelecimento de relações amorosas com pessoas, homens e mulheres, do mesmo sexo, com ou sem filhos. Quem vai cuidar dos idosos, se as famílias mudaram? O Estado? O mercado? Daí a grande importância e necessidade de se ter alternativas de cuidados, o quanto antes, para os novos velhos, que seremos nós daqui a pouco.
É uma questão da qual a cidade precisa se ocupar: quem vai cuidar dos novos velhos? O Estado brasileiro nunca teve tradição na atenção pública aos idosos. A sociedade, por sua vez, se omite, acompanha com indiferença a presença dos idosos no dia a dia. A grande questão é essa mesma: quem oferecerá cuidados para os idosos dependentes (a debilidade pode acometer a todos nós), a família ou as instituições? O futuro já começou.










