Protecionismo nos EUA
O discurso sobre o estado da União pronunciado por Barack Obama no Congresso dos EUA contém mensagens para o eleitorado estadunidense, apresenta algumas ideias para sair da crise e lança um desafio – na verdade uma ameaça de guerra comercial – aos países emergentes, principalmente à China, em relação ao comércio mundial.
Obama está em campanha eleitoral pela reeleição, em plena crise econômica que aumenta o desemprego, empobrece a população e coloca o fantasma da fome nos umbrais dos lares mais pobres – os dados oficiais mostram que, lá, a fome atinge hoje uma em cada cinco pessoas.
Para se reeleger, o presidente precisa superar a impopularidade que cresceu ao longo de seu mandato, apontar alguma saída para a crise, restaurar o que resta do sonho americano e oferecer alguma resposta ao declínio da influência dos EUA no mundo. Não é uma tarefa pequena.
Por isso, acentuou uma retórica igualitária no terreno tributário. Falou em aumentar (passando para 30%) os impostos e diminuir as isenções fiscais para os ricos (com ganhos anuais superiores a um milhão de dólares), mas sem mexer na tributação das empresas, que hoje é baixa.
Proclamou o objetivo de criar empregos, lançando a palavra de ordem de trazer os empregos de volta para o país. É hora de pararmos de recompensar empresas que buscam empregos fora do país, e começar a recompensar companhias que criam empregos aqui na América, disse. Obama deu enorme ênfase a propostas que embutem a volta do protecionismo econômico.
Defendeu medidas contra o que considera concorrência desleal de outras nações e anunciou a criação de uma agência para investigar práticas comerciais lesivas aos interesses dos EUA. O alvo claro é a China, mas pode voltar-se também contra outros países – como o Brasil – que tem conseguido melhorar sua posição no comércio mundial. Obama fala em punir a pirataria e o que considera grandes subsídios dados à produção nacional por outros países, em prejuízo dos produtores norte-americanos. E anunciou mais rigor na fiscalização contra produtos importados falsificados ou prejudiciais à saúde.
Trata-se de uma clara declaração de guerra comercial contra a China, o que soa como música para o eleitorado dos EUA. Mas ela poderá de fato se transformar em realidade? Os especialistas reconhecem uma simbiose entre as economias dos EUA e da China, que decorre de um fenômeno capitalista – a permanente busca por salários mais baixos – que foi incentivado pela política neoliberal. Ao desregular a ação do capital e entronizar a mão invisível do mercado como critério regulatório, os donos do dinheiro ficaram de mãos livres para atender à própria ganância e correr mundo.










