Negros continuam lutando


Por LEANDRO APARECIDO GODOI Colaborador

05/05/2013 às 07h00

Perto de completar 125 anos de abolição da escravatura no Brasil, os negros continuam lutando em prol da ascensão social e cultural em nosso país. O acesso a educação de qualidade, moradia, lazer, habitação, saúde e uma boa alimentação é fator determinante que pode melhorar a qualidade de vida desse povo que tanto fez e faz por este país. Mas a nação insiste em desamparar a negritude, por não tratar a questão com seu devido respeito. Sem falar do preconceito sofrido no cotidiano.

A baixa remuneração que a população negra recebe é reflexo da falta de ensino de ponta não ofertado em escolas públicas, nas quais a maioria dos negros estuda. Sem os conhecimentos necessários para ocupar ótimos cargos, restam apenas empregos desvalorizados, ocupados, muitas vezes, por adolescentes que deveriam estar nas salas de aula. Assim, tais adolescentes mudam seu percurso estudantil para ajudar a complementar a renda de suas famílias para suprir necessidades básicas, dificultando seu ingresso em bons empregos.

Saúde, lazer e cultura garantidos na Constituição praticamente não fazem parte da vida dos afrodescendentes brasileiros. Em postos de saúde das periferias, habitadas por um grande contingente negro, a carência de médicos e materiais necessários para atendimentos básicos compromete ainda mais a qualidade de vida. E as praças esportivas estão virando campo de criminosos, impedindo a frequência de pessoas de bem. A ausência de local apropriado para prática de eventos culturais reforça o esquecimento com este povo.

O preconceito disfarçado agrava cada vez mais a situação dos negros. O tratamento ofertado por policiais, lojas, estabelecimentos públicos e outros locais denota a segregação estabelecida neste país, que adotou um padrão de beleza europeu e se esqueceu que a nação brasileira é composta também por índios e outras etnias. Nossas novelas e comerciais comprovam o isolamento do negro, que quase não aparece.

Devemos adotar uma política de promoção social séria. Carecemos de ideias revolucionárias para conduzirmos a Lei Áurea na prática. Não podemos permanecer na utopia. Conceder aos seus beneficiados a verdadeira liberdade é questão de gratidão e honra com um dos pilares dessa nação, pois, só assim, alcançaremos o posto de país de primeiro mundo, não só tecnologicamente, mas também humanamente!