Sem amor, nada seremos
Mergulhada nas mais diversas crises, segue a humanidade desgovernada em meio aos escândalos de todas as ordens. Sacudidelas polêmicas atingem todos os países e seus des-governantes, que, a seu turno, recebem incontestável apoio dos aliados e bombardeio dos opositores, sem nada concluírem de útil para o ambiente social. Manipulam os fatos aguardando a próxima crise, feito abutres na expectativa da refeição. Claro que nem tudo é trágico. Em contra-partida, as estatísticas apontam para um forte aumento e crescimento progressivo da população universitária, o que pressupõe a melhoria do nível cultural, que de fato temos visto. Fato, também, que nos leva a refletir: se culturalmente estamos progredindo, por que as melhorias mantêm-se na superficialidade? Por qual motivo existe tanta escassez de boas qualidades no trato ou no convívio entre as pessoas e na sociedade urbana?
Creio estarmos confundindo, excessivamente, cultura com sabedoria. Estamos nos preocupando demais com a formação cultural exigida dos nossos jovens e profissionais de todas as carreiras, pelas quais o título tornou-se mais importante que o preparo, a tal ponto que nada mais importa. Retornamos, de certa forma, ao passado da nobiliarquia, diferente que os nobres de então, ao menos em público, mantinham a ética, o que hoje é raro, quando o diferente disso torna-se notícia.
Cultura vem de fora para dentro, penetra em nosso corpo via todos os sentidos, fixando-se ou não em nosso cérebro, distinguindo o grau de fixação, em cultos, incultos e até os analfabetos, mesmo os funcionais. Já a sabedoria, ao contrário, é interior, surge no misto do conhecimento e reflexão, expande-se no silêncio da compreensão do espírito da letra. Independe do grau de cultura, mas é dependente do nível espiritual. Daí a grande dificuldade da larga maioria em entender os ensinamentos de Jesus.
O jovem carpinteiro, senhor das mais belas lições em toda humanidade, não conseguindo se fazer entender pelos doutores da lei, foi assassinado. O que ensinou foi somente a amar, e quando se fala em amor, o ser humano preconceituoso, se arrepia, chama de pieguice, gesto de beatitude, assim por diante. Pensam no amor entre duas pessoas, em palavras melosas e em expressões românticas. Jesus ensina o amor como arma de sabedoria revolucionária, revolução interior e individual: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
O amor a Deus é superior a todos os interesses terrenos; é a baliza de nossas ações coletivas. Se vamos fazer algo, pensemos: em que este gesto afeta a lei divina? A resposta nos dirá o que fazer. Ao próximo, como a nós mesmos, é o amor o sentimento fundamental, básico da convivência de boa vontade. É o instrumento com o qual combateremos o nosso egoísmo e as vaidades exageradas. Amor é o sentimento de ideal, de sonho de cada pessoa. Afinal, nossas vidas foram concebidas no Amor de Deus, germinadas no amor de nossos pais e deve ser no amor o local de repouso de todos os nossos sonhos e ideais. Se nos sentimos realizados, é quando estamos em estado de amor; se há vazio, é quando não estamos. Então, despertemos para a vida, meditando em nossas responsabilidades perante a humanidade e Deus. De cada um depende a vida da família e da sociedade, e, sem amor, não há futuro próspero, e nada seremos.










