Eleições e memória


Por LUCIMARA REIS P. AVELAR, PROFESSORA

04/10/2012 às 07h00

Interessante como no período eleitoral todas as questões sobre nossa cidade são discutidas com afinco e fervor. Nem por todos, verdade, mas um sem número de pessoas passam a debater e opinar sobre tudo e todos. De antemão, considero isso muito importante. Temos a grata satisfação de estar vivendo esse período em uma verdadeira democracia, em que pese as más ações de alguns que tentam sempre o lado corruptível do ser humano, propiciado pelas condições em que materializam sua vida.

A grande ilusão da condição do exercício democrático no processo eleitoral perpassa esse momento. Passam as eleições, e muitos sequer se lembram em quem votaram. Parece muito com as festas de fim de ano, que despertam a bondade em estampa e o desejo de dias melhores para todos. Como se o simples fato da mudança do calendário, por si, despertasse a novidade de um mundo de paz e prosperidade.

Podiam durar mais os sentimentos de fraternidade anonovinos, tanto quanto a força que parece tomar a democracia e cidadania em época de eleições. Convido o leitor, e me incluo nesta reflexão, a pensar sobre isso, pensar muito sobre isso! Por que deixamos só para alguns momentos nossas aspirações de boa vontade e uso de direitos? Por que não participamos de audiências públicas, não discutimos os vetos do Executivo ou a falta de ação do mesmo? Por que não cobramos de nossos legisladores e fiscais vereadores suas promessas de campanha em seus mandatos, por nós concedidos? Às vezes, só nos damos conta da vida política da cidade após o leite derramado. As formas de participação podem ser as mais variadas, mas em quais espaços estamos agindo, ocupando ou deixando de ocupar?

Escolhemos, por obrigação, com a Justiça Eleitoral, nossos representantes na Câmara e na Prefeitura e, às vezes, sequer sabemos quem é o presidente ou coordenador da associação de moradores do nosso bairro, o representante sindical da nossa categoria ou, em alguns casos, nem quem é o diretor da escola dos nossos filhos.

Mas, vamos lá, o momento é oportuno, questões importantes são levantadas, inclusive o fato de que sem participação popular não há programa, por mais bem-intencionado que seja, que se torne realidade sentida e vivida. As eleições terminam, vencedores partem para seus projetos, muitas vezes se esquecendo de que deveriam ser coletivos, visto que adquiridos por vontade popular, salvo exceções importantes. Eleitores guardam seus estandartes e adesivos e seguem em sua vidinha normal, felizes, na primeira semana, por terem acertado seu voto ao verem seus candidatos encabeçando a lista dos eleitos. Depois, abatidos pela dura realidade cotidiana que não se altera por anos.

Posso estar parecendo pessimista, mas, ao contrário, busco aqui uma reflexão que pode ser decisiva para dar à ilusão um salto ao real, na busca de ações de cidadania e garantia de direitos. Não abaixemos nossas bandeiras ao final das eleições: as ergamos ainda mais alto na cobrança e ação por democracia real, por igualdade de condições. Isso, no meu ponto de vista, é que fará a grande diferença por todos falada, e por todos nós aspirada.