Arte nas ruas
Na década de 90, a Funalfa patrocinou e forneceu todo o material para dois projetos culturais que deixaram a cidade mais bela e colorida. Refiro-me aos projetos Arte na comunidade e Coração da cidade, dos quais participei como coordenador, com a colaboração de outros artistas locais. Lembro-me de alguns nomes: Simone Campos, Selma Flutt, Lúcia Teixeira, Cláudia Queiroz, Maria Lídia, Andréia Voghel e outros.
Nosso objetivo era trazer arte para as ruas, a exemplo do que existe em outras cidades do Brasil e exterior. Aproveitamos os muros de terrenos particulares ou de empresas, transformando-os em verdadeiros murais. A receptividade do público foi além da expectativa. Pessoas paravam apreciando; faziam perguntas; outras passavam de carro, buzinavam; acenavam com gestos de aprovação. Foi uma experiência gratificante para nosso grupo, irmanado pelo desejo de levar o melhor de nossa inspiração, tirar a arte das galerias trazendo-a para as ruas, transformando muros vazios em murais, colorindo e humanizando nossa cidade.
Levamos nosso trabalho a vários pontos da cidade, pintamos muros cedidos pelos proprietários nas ruas Oscar Vidal e Severiano Sarmento, na Avenida Rio Branco. O Instituto Granbery cedeu o muro da quadra esportiva, na Rua Barão de Santa Helena, e as tintas para dar mais cor ao local em substituição às pichações.
Passados tantos anos, volto a sugerir à Funalfa, às instituições culturais e empresariais a reativação de novos projetos de arte nas ruas. Talvez, através de iniciativas como estas acima citadas, possamos estender esta ideia às comunidades de bairros, escolas e praças, motivando crianças e população em geral a conviverem com a arte, e, assim, despertar o processo criativo existente em todo ser humano.
As pessoas deveriam conviver com arte no seu dia a dia, o que, acredito, seria um exercício de humanização e crescimento pessoal. A arte não existe para ser trancada em galerias e museus, afinal ela está presente na própria natureza, em cada amanhecer e anoitecer.
Tenho certeza de que as novas gerações de artistas, que não vivenciaram aquela experiência, provavelmente sentir-se-iam motivadas a participar de uma nova versão daqueles projetos; agora dentro de nova visão e valores. Seria uma confraternização de veteranos com a nova geração, que muito contribuiria para o visual estético da cidade, despertando o público em geral, especialmente jovens e crianças, para o universo maravilhoso da arte.










