Produtores de leite


Por GUSTAVO ALVES RATTES, COLABORADOR

04/03/2015 às 06h00

Segundo dados do IBGE 2013, a Zona da Mata produz hoje 9,02% do leite de Minas Gerais – em 2002, produzia 9,38%. A produção de leite do estado cresceu 41,74%. A produtividade litros/vaca/ano na ZM aumentou 10,87%. Logo, podemos concluir que a produção em nossa região encontra-se hoje completamente estagnada, porque o pequeno produtor está desmotivado.

Todos nós sabemos que a cadeia do leite na Zona da Mata hoje se fundamenta nas pequenas propriedades rurais, que procuram, de toda forma, superar as mais diversas dificuldades no campo, e todo este esforço acaba encarecendo os custos finais da produção de leite. O pequeno produtor rural necessita de diversos recursos para obter melhores resultados em sua atividade leiteira, como possuir uma boa terra, benfeitorias, máquinas e equipamentos e uma pastagem de boa qualidade. Somados a estes fatores, eles contam ainda com despesas de alimentação do gado (silagem, farelo de trigo, sal, ureia e milho), além dos produtos veterinários (antibiótico, bernicida, carrapaticida, vacina, vermífugo, etc.), mão de obra (permanente e temporária), serviços de terceiros, manutenção, combustível, energia elétrica e despesas gerais.

A luta tem sido árdua para o produtor rural! Dificilmente vimos o Poder Público se embrenhando no campo para tentar compreender as dificuldades que ele atravessa, com o propósito de apresentar ideias concretas que lhe permita vencer as adversidades na área rural. Com o preço de venda do leite para o produtor rural girando em torno de R$ 0,63 a R$ 0,75 o litro (Cepea) em nossa região, como bancar todos os custos? A realidade é que ele quase nunca consegue cobrir todos os custos com a mão de obra, permanecendo deficitário. A maioria insiste na atividade leiteira, porque gosta do que faz e porque optou em viver no campo, longe do caos urbano.

Uma forma de o produtor de leite amenizar sua despesa com a alimentação do gado é adquirindo o milho ensacado na Companhia Nacional de Abastecimento – órgão do Ministério da Agricultura, Agropecuária e Abastecimento – que se encontra em funcionamento no Distrito Industrial. A Conab utiliza o Programa de Vendas em Balcão para comercializar o milho com preços bem mais acessíveis que os de mercado, para criadores de aves, suínos, bovinos, caprinos, entre outros. Este programa se faz presente na Zona da Mata pois garante a manutenção das atividades do pequeno criador/produtor rural no campo. Para se habilitar, o interessado deverá efetuar o seu cadastro na unidade armazenadora. O trabalho tem sido bem-sucedido; na época da seca foi de grande valia para o produtor de leite e tem tudo para continuar dando certo!