O centenário de Augusto Gotardelo


Por VANDERLEI TOMAZ Colaborador

02/10/2011 às 07h00

Hoje comemoramos os 100 anos de nascimento do escritor, pregador presbiteriano e professor Augusto Gotardelo. Nascido em Monte Sião, Sul de Minas, em 1911, era filho de João e Alice Gotardelo. Faleceu em Juiz de Fora, em 16 de janeiro de 2005, aos 93 anos. Foi casado – durante 47 anos – com Hilarina Vitral Gotardelo, com quem teve cinco filhos (Beatriz, Heloísa, Lúcia, Augusto Júnior e Alice). E, depois, com Maria Matilde Mendes.

Com o pai, aprendeu o ofício de padeiro e, depois, atuou no comércio. As dificuldades vividas na infância e a necessidade de trabalhar fizeram com que ele interrompesse seus estudos durante dez anos. As primeiras letras, aprendeu na sua cidade natal e na mineira Lavras, onde concluiu o curso ginasial aos 26 anos. Após completar o ginásio, começou a dar aulas. Em 1946, chegou a Juiz de Fora, de onde não mais saiu. Gotardelo fez parte da primeira turma da Faculdade de Filosofia e Letras (Fafile) de Juiz de Fora, bacharelando-se em Letras Clássicas.

Conceituado educador, lecionou durante 38 anos (de 1946 a 1977 foi professor do Granbery) nas cadeiras de português, letras e latim. Também foi professor na Escola Normal, no Colégio Estadual e no Machado Sobrinho. Ordenado ministro do evangelho em 1955, Augusto Gotardelo exerceu o pastoreio de almas durante 25 anos, ligado à Igreja Presbiteriana.

Foi articulista do extinto Diário Mercantil, publicou dezenas de opúsculos, além de livros que são referência até hoje para o ensino da língua portuguesa: O emprego da vírgula, A crase nos bons escritores, Acentue corretamente (com inúmeras edições que somam mais de cinquenta mil exemplares), Português pela redação, Ceifa tardia, Cristo – Centro das Escrituras e da Vida e o clássico Português para pregadores evangélicos.

Mestre Gotardelo fazia questão de dizer: Fui padeiro, confeiteiro, balconista até os 20 anos. Deus afastou-me da amassadeira, da cestinha de vime em que portava pães deliciosos de tostão, para colocar-me a um púlpito, a uma cátedra. Passei a amassar o pão do espírito e da inteligência com o bico da pena, com a ponta do giz, a fim de alimentar corações famintos de pensamentos de vida.

Se estivesse entre nós, a cidade estaria celebrando – com ele e família – seus 100 anos de nascimento neste 2 de outubro. Sua existência foi um verdadeiro presente de Deus para Juiz de Fora. O professor Augusto Gotardelo construiu um patrimônio intelectual e moral que o faria afirmar com segurança as mesmas palavras desafiadoras do apóstolo Paulo: Sede meus imitadores, como eu sou de Cristo!