Oh, minha casa, minha vida
Aprendemos com a teoria da seleção natural, proposta por Darwin, que somente os mais fortes e aptos sobrevivem na natureza. Também no sistema capitalista, dentro de certas estruturas de enquadramento criadas pela sociedade, pode-se perceber um processo de seleção social que faz dos pobres ainda mais pobres, vítimas do descaso dos governos, que são baseados em planejamentos elitistas e tecnocratas.
Exceção à regra se refere ao programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, criado com o objetivo de baixar o déficit de moradias no Brasil, que, hoje, em termos quantitativos, encontra-se na faixa de cinco milhões de unidades. Logo no início deste programa, Juiz de Fora aderiu prontamente às regras estabelecidas, e, atualmente, conta com 2.632 unidades construídas para o público com renda de zero a três salários mínimos e aguarda início de novas obras para mais três mil unidades.
Com isto, é verificado que a cidade tornou-se um laboratório de proposições de qual seria a melhor forma de moradia para esta faixa da população. Foram construídos diversos empreendimentos, como loteamentos para unidades horizontais unifamiliares, conjuntos verticais e sobrados, localizados onde já havia infraestrutura urbana, enquanto outros ainda estão carecendo de alguns destes serviços, que certamente serão atendidos.
Além das obras de infraestrutura, outra preocupação que deve se ter é com a etapa de pós-ocupação das moradias. Pessoas advindas de diversas regiões da cidade passam a conviver em um ambiente com relações de pertencimentos distintas de onde moravam. É de fundamental importância a inserção destes moradores nestes locais, com ações que promovam a ordem urbana e o resgate da cidadania, sob o risco de haver um decréscimo na qualidade de vida destes moradores e ameaça de deterioração do próprio entorno do espaço urbano.
Na busca do combate ao déficit habitacional, outras formas de ação, além desta, devem ser implementadas, tais como: a implantação da engenharia e arquitetura pública, programas de fomento à criação de lotes e moradias populares, programas de aquisição de materiais de construção, etc. O que não se pode admitir é a falência deste ou de outro programa, baseado em críticas que, se existirem, devem ser analisadas, e as questões corrigidas, sob o risco de repetição da história da mãe que, ao dar o primeiro banho no filho, depois de nove meses de gestação e exames de pré-natal, penteia o cabelo, coloca lacinho e joga-o fora junto com a água da bacia.









