Os rumos da Igreja


Por SUZANA M. PALETTA GUEDES MORAES - ADVOGADA E PROFESSORA

01/03/2013 às 07h00

O Papa Bento XVI renunciou em meio a uma grande tempestade sobre a barca de Pedro, com veiculação de escândalos financeiros, pedofilia e, agora, escândalos sexuais envolvendo padres. O que pensar da Igreja Católica? O que desejar do novo Papa?

Primeiramente, há de se esclarecer que, muitos, usualmente, confundem e misturam os fundamentos e doutrina da Igreja fundada por Cristo Jesus com alguns de seus membros. Pior, colocam tudo em um lugar comum, como se alguns membros e escândalos isolados da Igreja refletissem a verdadeira essência da Igreja Católica. A Igreja e a doutrina católicas são muito mais do que isto! A Igreja é uma comunidade formada por Deus e pelos homens. Portanto, a Igreja Católica é santa nos seus membros santos e também é pecadora nos seus membros pecadores. Alguns poucos peixes podres da barca de Pedro não têm o condão de destruir, de forma alguma, a fé inabalável que nós católicos leigos e religiosos temos na doutrina católica e na Santíssima Trindade (Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo).

A Igreja Católica já passou por tempestades piores e tem sobrevivido, mantendo íntegros seus dogmas fundamentais, que não foram de criação do homem, mas do próprio Deus.

O que se esperar, então, do novo Papa? Um Papa revolucionário e moderno? Um Papa que mude os dogmas fundamentais de direito à vida e seja a favor do aborto e da eutanásia? Um Papa que relativize os sacramentos?

As pessoas que desejam este novo catolicismo, pois rotulam Bento XVI de conservador e de ser a causa de perda de fiéis católicos, na verdade, desejam o mesmo que queriam os judeus quando da vinda de Jesus Cristo. Todos os judeus oprimidos pelo Império Romano queriam um Jesus revolucionário, que lutasse por uma liberdade política, por uma justiça social e que resolvesse rapidamente todos os problemas da vida terrena. Como ele trouxe uma outra salvação, houve a libertação do líder político Barrabás, e Jesus foi condenado à morte de cruz.

Como vemos, a tão esperada revolução não é novidade. A Igreja Católica jamais se curvará diante das pessoas que desejam esta total modernização, pois Jesus é o mesmo ontem, hoje e amanhã. A Igreja não descartará seus dogmas fundamentais somente porque alguns tacham-na de antiquada e retrógrada. O Evangelho também sempre será o mesmo e não terá interpretação relativizada somente para agradar alguns fiéis que exigem uma verdadeira modernização.

Por fim, o que se deseja neste momento tão delicado é que o Espírito Santo de Deus ilumine o colégio cardinalício para a escolha de um Papa sem rótulos (revolucionário ou conservador), mas a escolha de um Santo Padre que, na linha de João Paulo II, com seu carisma e sua santidade, e de Bento XVI, com sua excepcional cultura, inteligência e santidade, possa conduzir a barca de Pedro, defendendo a vida, a tão sonhada união, conversão e paz de todos os filhos de Deus, com o verdadeiro amor ao próximo.