Mobilidade urbana eficiente
José Luiz Britto Bastos<
Especialista em engenharia
de transportes
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“A demanda por transporte público cresce exponencialmente. Isso requer pensar a cidade com vistas a atender a crescente demanda por serviços, o que inclui a mobilidade urbana”
Recentemente, uma emissora de TV local abordou a mobilidade urbana de Juiz de Fora. O tema, de fato, deve ser discutido, pois é perceptível que o trânsito da cidade está cada dia pior, indicando que soluções paliativas não vão resolver o que em breve poderá se transformar num caos.
Uma mobilidade urbana eficiente tem que passar pela busca contínua de melhorias. Nesse sentido, o foco está em priorizar o transporte público de passageiros de alta qualidade. Reduzir o volume de automóveis em circulação nas ruas das cidades é condição precípua e impostergável. Trocar o automóvel pelo ônibus é o objetivo. Assim, a implantação de um sistema de transporte moderno e de maior capacidade, como o troncalizado – que por aqui já tivemos -, é fundamental. O automóvel transporta em média 1,4 pessoa, enquanto um ônibus convencional pode transportar até 80 pessoas. O carro ocupa um espaço 17 vezes maior que o ônibus, entope as ruas, impactando negativamente a mobilidade urbana.
Juiz de Fora tem hoje 600 mil e, daqui a pouco, terá um milhão ou mais de habitantes. A demanda por transporte público cresce exponencialmente. Isso requer pensar a cidade com vistas a atender a crescente demanda por serviços, o que inclui a mobilidade urbana. Temos que priorizar não somente o transporte público como também o uso de veículos não motorizados (bicicletas), assim como dedicar tratamento especial aos pedestres, melhorando as condições físicas de seus deslocamentos a pé.
Implantado em diversas cidades do mundo – dentre outras: Rio de Janeiro, Curitiba, Bogotá, Cidade do México, Santiago do Chile -, o sistema BRT (Bus Rapid Transit = Ônibus de Trânsito Rápido) utiliza ônibus articulados e biarticulados, com capacidades para 165, 180/210, 270/300 passageiros. Tais veículos trafegam em corredores exclusivos, com frequência e regularidade de horários, prioridade na sinalização semafórica, embarque/desembarque em estações elevadas ao nível do veículo e passagens pagas por cartões magnéticos, além de tarifas acessíveis e informações aos usuários disponíveis em tempo real.
Frequência irregular, atrasos, pontos e ônibus lotados são situações constatadas pelos usuários do nosso atual sistema (recém-licitado) de transporte público. Tais ocorrências nos remetem ao sistema anteriormente existente.
Pontes, viadutos, trincheiras, tecnologias e monitoramento do trânsito por câmeras são medidas importantes e necessárias, mas a cidade requer e merece um sistema de transporte público moderno e mais versátil, que proporcione à população conforto, rapidez e eficiência nos deslocamentos diários!











