TUDO EM FAMÍLIA
Na edição de sexta-feira, o matutino O Globo estampou como reportagem de capa a história de marido e mulher: ele, servidor de carreira, responsável por comandar serviços milionários no Dnit. Ela, como link das empresas, com negócios na sua pasta. São conhecidos como casal Dnit em função das tabelinhas que promovem à frente de uma das estruturas do Departamento. Ele foi promovido a coordenador-geral de operações rodoviárias, pasta estratégica do Ministério dos Transportes.
Num momento em que Juiz de Fora assiste ao lançamento do Memorial Presidente Itamar Franco, para abrigar seu acervo, e quando os discursos de sua ética viram referência, as mazelas de Brasília continuam no noticiário, numa prova evidente de que a luta contra o patrimonialismo será longa, não terminando na faxina promovida pela presidente Dilma Rousseff. Foram anos de leniência que só agora começam a ser corrigidos.
É preciso, sobretudo, cobrar engajamento da própria sociedade, pois nem sempre os atos ilícitos ou o tráfico de influência é praticado no silêncio da madrugada. O fato de marido e mulher serem conhecidos como casal Dnit é a clara constatação de que eram públicas as suas ações. Se nada foi feito é porque faltou o primeiro passo, inclusive do Judiciário e do Ministério Público, que em diversas situações só agem mediante provocação.
O ciclo profilático no Ministério dos Transportes não pode ser a única instância de ação do Governo, pois – como Brasília sempre sabe antes – outros órgãos também carecem de avaliação. Resta saber até quando vai a margem de manobra da presidente, que depende dos aliados, muitos deles em eventuais listas de investigação.











