PRESSÃO DA BASE


Por Tribuna

29/06/2011 às 07h00

Em reunião ontem com representantes da base aliada do Governo, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, teria recebido um ultimato dos líderes governistas. Eles avisaram que, se não houver prorrogação do prazo dos restos a pagar, que termina amanhã, não se vota mais nada na Câmara. Eles querem uma resposta até hoje. A presidente Dilma resiste à ideia, mas está bem claro que não terá outro caminho a não ser ceder. Num regime presidencialista, mas com conotações de coalizão, a pressão das bases é bem mais complicada do que a da oposição, pois não dá para negar. A presidente, quando tentou jogar duro, sofreu revezes, e já está mudando o seu modo de operar ao perceber ser impossível administrar o país sem o Congresso e, sobretudo, sem os aliados.

Desde o primeiro instante, já se sabia o que viria, pois não se trata de um comportamento recente. Nos oito anos de seu mandato, o tucano Fernando Henrique também teve que ceder, pois não havia outro caminho. Nesse aspecto, o ex-presidente Lula aprendeu cedo e teve uma base pacificada por conta de seu jogo de cintura. Habituado às lidas do sindicalismo, sabia negociar e levou os aliados para dentro do Governo. Com isso, teve o aval do Congresso e das centrais sindicais.

Com a mudança de sua equipe de articulação, após a queda de Antonio Palocci, a presidente tentou mudar o estilo, mas ainda está longe de chegar ao ideal, pois não se muda de uma hora para outra uma postura de anos. Quando na Casa Civil, a então ministra Dilma Rousseff colocava o guizo nos colegas, mas não lidava com o mundo político. Agora, o quadro é outro, a começar pelo PMDB, principal partido aliado, formado por profissionais, os mesmos, aliás, que fecharam com FH e com Lula. Com eles, a conversa é outra.

Esse tipo de relação não tem data para acabar, pois os políticos, em vez do viés ideológico que marcou outros anos da República, adotaram uma postura pragmática, pela qual a barganha ganhou espaço, fazendo dos Executivos, mesmo titulares da agenda, reféns dos próprios aliados.