SEM LIMITES
Durante a semana, o noticiário nacional registrou o envolvimento de um grupo de crianças, na faixa entre 10 e 12 anos, numa série de ocorrências no comércio de São Paulo. Elas invadiam lojas, faziam pequenos furtos e corriam para as ruas. Recolhidas, ficavam pouco tempo nas unidades de atendimento por força da sua inimputabilidade. Em casa também não paravam pela fragilidade das famílias.
Na última quinta-feira, Juiz de Fora passou por situação semelhante. Como a Tribuna registrou na edição de ontem, um grupo que tinha a participação de um menino de apenas 9 anos – seria o mesmo flagrado sendo obrigado a fumar um cigarro com substância semelhante à maconha -, invadiu uma loja no Centro e agrediu uma funcionária. Foram parar no Conselho Tutelar.
Seriam vítimas ou infratores, cuja infância já foi perdida? Essa indagação fica no ar, pois é cada vez maior o número de crianças em ocorrências em conflito com a lei. Por mais que se esforcem, os conselhos tutelares estão cada vez mais sendo chamados a tomar providências em demandas que, inicialmente, deveriam ser das famílias. Como nem todas têm estrutura, cria-se uma ciranda, na qual todos acabam sendo vítimas, mas sem limites, pois é dessa forma que se mostram nas suas ações.
A falta de estrutura nos lares – muitos deles formados por pessoas que tiveram os mesmos problemas na infância – é um dos pontos em questão, carecendo de mais políticas públicas. Some-se a isso o problema que também afeta o primeiro mundo: a falta de perspectivas. Muitos jovens não encontram oportunidade e, sem perspectivas, vão por outros caminhos. A Europa se vê em pé de guerra por pressão dos jovens. No Brasil, mesmo sob outras circunstâncias, não é diferente. Educação, saúde e segurança adequadas são parte de um pacote que deve chegar a todas as instâncias.











