PERDAS E GANHOS
A bancada do jogo estaria, de novo, em ação para ter o apoio do Governo e liberar suas atividades, sobretudo o bingo, sob o argumento de que os recursos, cerca de R$ 10 bilhões, sejam vinculados à saúde. Com isso, o segmento, que vive sempre no arrocho, ganharia uma forte receita para melhorar sua qualidade. No entanto, é preciso discutir a questão sem a emoção de primeira hora. Entre perdas e ganhos, a sociedade tem que avaliar o melhor resultado. Vale a pena ou não liberar o jogo?
Há defensores em ambos os lados, mas é necessário considerar o que há por trás dos bingos e das máquinas caça-níqueis, hoje a face mais visível desta discussão. Em menos de 24 horas, policiais da 30ª Companhia de Polícia Militar desmantelaram mais um cassino clandestino na região central de Juiz de Fora. Foram apreendidas 20 máquinas em um imóvel da Rua Barbosa Lima. Um dia antes, outros 18 equipamentos também foram recolhidos em um apartamento da Rua Halfeld.
A contravenção é um processo de mão dupla: há os responsáveis pelos jogos e os que a eles recorrem, criando um vínculo de lucro fácil para os donos do negócio e de danos permanentes para os que cedem ao vício. Mas seria simplista tratar do assunto somente pela ótica do consumo quando há outros componentes ao seu redor. Hoje, moradores e responsáveis por salas estão sendo surpreendidos por vizinhos incômodos, que alugam apartamentos e salas para seus negócios sob o olhar conivente de síndicos e locadores. Enquanto o tema não é pacificado, não dá para transigir com tais situações.
Há anos se tenta legalizar o jogo no Brasil, vetado desde os anos Dutra, na década de 1950, mas seria ingênuo dizer que ele não ocorre ou que vai continuar. O que não pode é esse processo de olhos vendados, onde o Estado, somente em ações pontuais, toma providências, quando nas ruas é possível ver não só esses cassinos clandestinos, como também outros tipos de contravenção.











