FALTA MUITO


Por Tribuna

27/07/2011 às 07h00

A demissão de mais um funcionário do Dnit, ontem, por pressão da presidente Dilma Rousseff, é mais um passo no emblemático processo de profilaxia de uma das mais importantes estruturas do Governo. Mas antes de se celebrar por conta do ousado e inédito gesto nos últimos anos, é preciso considerar que há um longo caminho pela frente. O Departamento, por ser uma das faces mais visíveis do Governo, chama a atenção, mas não é a única instância que carece de acompanhamento. Há denúncias de corrupção em vários órgãos. A faxina, pois, tem que continuar.

A limpeza patrocinada pela chefe do Governo tem dois pontos a considerar. O primeiro é o estado em que chegou a estrutura de poder, com o controle absoluto de legendas, que fazem dos ministérios verdadeiros balcões de negociações. Os partidos não se contentam apenas em ocupar o primeiro escalão. O noticiário foi pródigo em apontar que o PR – a bola da vez – loteou todos os principais cargos, cabendo ao deputado Waldemar da Costa Netto, que chegou a renunciar a um mandato para não ser cassado, controlar todas as ações dos Transportes, mandando mais do que o ministro.

O segundo ponto é a formação dos governos de coalizão, que não conseguem fugir dessa forma perversa de alianças. Tanto Fernando Henrique quanto Luiz Inácio Lula da Silva, eleitos por duas siglas fortes, não conseguiram se livrar dos aliados, sendo obrigados a cederem os anéis para não perderem os dedos. A presidente Dilma tenta mudar as regras, mas sabe que não poderá avançar tanto, sob o risco de ficar sem sua base no Congresso.

Ninguém tem a solução para esse cenário em que alianças são mais problemáticas do que uma ajuda, mas, enquanto não houver mudanças, novas denúncias surgirão – como, aliás, já ocorre, pois a ética, há muito tempo, deixou de ser referência para formação de quadros.